O que é o selo “Leaping Bunny”?

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Selo oficial

O selo “Leaping Bunny” ou Coelho Saltitante, em português, é um selo internacionalmente reconhecido que garante aos consumidores que nenhum teste animal foi usado no desenvolvimento do produto que o receba. É concedido pelo Leaping Bunny Program da Cruelty Free International, um grupo de proteção e defesa animal, fundada em 1898 pelo escritor irlandês e sufragista Frances Power Cobbe, como a União Britânica para a Abolição da Vivissecção.

Esse selo indica que:

  1. a companhia e seus fornecedores não financiam testes em animais;
  2. a companhia aceita ser auditada pela CICC (Coalition for Consumer Information on Cosmetics – Coalizão para informações ao consumidor sobre cosméticos) grupo formado por oito grupos de proteção animal;
  3. a companhia paga para ter a licença de usar o selo.

Este selo não representa que o produto seja vegano. Falei sobre isso aqui.

The CCIC is made up of the following organizations: American Anti-Vivisection Society; Animal Alliance of Canada; Beauty Without Cruelty, USA; Doris Day Animal League; Humane Society of Canada; The Humane Society of the United States; and the New England Anti-Vivisection Society. CCIC’s international partner is the European Coalition to End Animal Experiments.

O CCIC é composto pelas seguintes organizações: American Anti-Vivisection Society; Aliança Animal do Canadá; Beleza sem Crueldade, EUA; Doris Day Animal League; Humane Society of Canada; A Humane Society dos Estados Unidos; e a New England Anti-Vivisection Society. O parceiro internacional da CCIC é a Coalizão Européia para Encerrar Experiências com Animais (tradução)

Foi o escritório brasileiro da Cruelty Free International, em parceria com nomes nacionais, que conseguiu aprovar a lei, em Junho de 2014, proibindo o teste de animais para ingredientes de cosméticos, higiene pessoal e produtos de limpeza em São Paulo e Mato Grosso. A Natura conquistou esse selo em 2018.

Fontes:

http://www.crueltyfreeinternational.org/
https://www.leapingbunny.org/content/leaping-bunny-logo

https://www.natura.com.br/blog/sustentabilidade/natura-conquista-o-selo-leaping-bunny-da-cruelty-free-international
http://aavs.org/news/coalition-consumer-information-cosmetics-leaping-bunny-marks-15-cruelty-free-years-cosmetic-personal-care-household-products/

 

O que é um produto “Cruelty-free”?

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Esse é o modelo antigo dos selos “cruelty-free” e são os mais comuns no Brasil.

O selo “cruelty–free” faz parte do programa “Beauty Without Bunnies” (Beleza sem coelhinhos) da organização internacional PETA (People for the Ethical Treatment of Animals), Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais, em português, uma organização não governamental (ONG) dedicada aos direitos dos animais.

Esse selo indica que:

  1. A companhia e seus fornecedores não financiam testes em animais;
  2. A companhia respondeu um questionário e assinou uma declaração de garantia;
  3. A comapnhia paga para ter a licença de usar o selo; e
  4. No caso do selo que indica “and vegan” que o produto é vegano.

NENHUMA INSPEÇÃO É REALIZADA.

Existem duas formas de escolher seus produtos livres de crueldade:

  1. Pesquisando no site do PETA: https://features.peta.org/cruelty-free-company-search/index.aspx – lá você pode buscar empresas ou produtos específicos. Dessa forma é possível saber se uma empresa testa ou não em animais, ou se um produto específico é ou não testado em animais.
  2. Verificar se o selo “cruelty-free” está no produto que você quer comprar. Caso você busque pelo selo, ele pode ter quatro aparências diferentes. Aqui vale frisar que, algumas empresas mal intencionadas, podem modificar o selo para “parecer” que são certificados quando não são. Então confira se o selo é do PETA e, de preferência, confirme no site.

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Esses é o novo layout dos selos “cruelty-free”, ainda incomuns no Brasil.

Sobre o teste em animais: esse é um tema controverso. Mas resumidamente, é bastante comum que as empresas testem seus produtos em animais como forma de garantir a segurança desses produtos para uso em humanos. O problema é que centenas de milhares de animais sofrem diariamente nesses testes. Eles são cegados, envenenados, literalmente torturados até a morte, pois os testes não incluem sequer anestesia, na maioria dos casos. São testes não exigidos por lei e que, segundo o PETA são imprecisos ou enganosos, pois seres humanos tem organismo diferentes dos animais. Por exemplo: um produto que cega um coelhinho, pode ser inofensivo em um ser humano. E um produto que é inofensivo ao coelhinho, pode ser nocivo ao um ser humano. Eu não sou farmacêutica, mas considerando que, a cada dia aumentam mais e mais o número de empresas que estão abandonando os testes em animais, me parece ser bastante razoável a afirmação de que não precisamos desses testes para atestar a segurança de um produto.

A alternativa aos testes em animais, são as culturas de células humanas e estudos de tecidos (testes in vitro), e o uso de “pele” e “olhos” humanos artificiais que  imitam as propriedades naturais do corpo, além de vários órgãos virtuais que servem como modelos precisos de partes do corpo humano. Esses testes são mais confiáveis pois utilizam células humanas para os testes.

Diferenças entre o selo “cruelty-free” e o selo “cruelty-free and vegan”

Tanto a versão antiga quanto a nova do selo “cruelty-free” tem dois selos diferentes, um que é apenas “cruelty-free” e outro que também é certficado como “vegan” (vegano, em português). Essa diferenciação é muito importante, pois imagina-se que um produto vegano necessariamente seja cruelty-free, o que não é verdade, e vamos entender o motivo.

O selo “cruelty-free” indica que que o produto, marca ou empresa não testa em animais, mas ele pode ter ingredientes de origem animal. Um exemplo polêmico recente é a concessão pelo PETA desse selo para a marca Dove, da Unilever (empresa que testa em animais). A marca Dove não testa em animais, e é isso que o selo atesta. Porém a marca Dove utiliza produtos de origem animal, como o sabonete que tem derivados da banha de boi. Portanto, o selo “cruelty-free” atesta que o produto, marca ou empresa não testa em animais, mas não faz menção ao uso de ingredientes de origem animal.

O segundo selo, o “cruelty-free and vegan” indica que o produto, marca ou empresa não testa em animais e não tem ingredientes de origem animal. Portanto a Dove não é vegana e não irá utilizar esse selo nos seus produtos. Um exemplo é a marca de pincéis de maquiagem Ecotools que não testa em animais, nem tem produtos de origem animal (e são os melhores e mais macios e fofos e lindos pincéis que já usei na vida).

Um produto pode ser vegano e não ser livre de crueldade?

Depende do que você encara como vegano.

Sim caso seu ponto de vista se restrinja ao produto analisado. Logo um produto pode não ter nenhum  ingrediente de origem animal, mas pode ser testado em animais.

Não caso você analise toda a cadeia de produção (o que é raro). Mas nesse caso o produto não pode ter ingredientes de origem animal nem ser testado ou ter ingredientes testados.

Há um amplo espectro entre o sim e o não, para a resposta dessa pergunta. Pois se analisarmos produndamente a cadeia de produção de um produto podemos encontrar exemplos de sofrimento animal que não são visto em um primeiro olhar. Por exemplo, a empresa pode comprar os ingredientes de uma empresa que testa, ou de uma empresa que terceiriza testes em animais. Ou pode haver exploração animal em outras etapas como produção ou transporte. Ou ainda, o produto ou marca pode ser “cruelty-free and vegan”, mas estar vinculada a uma marca que testa em animais. Um exemplo é a linha da Kat Von D que é “cruelty-free and vegan” mas se filia à Sephora, que não é e trabalha com marcas que não são como a Bennefit, a Make Up Forever, Urban Decay, etc). Finalmente o produto e a empresa podem ser “cruelty-free and vegan”, mas que não são em outros países, como na China, que exige testes em animais. Um caso famoso é a MAC, que realizou e realiza testes em animais para vender na China, e exclusivamente para lá, pois a China exige testes em animais.

O fato é que hoje é bastante difícil restringir a compra de produtos que tenham toda a cadeia de produção sem nenhum tipo de sofrimento ou exploração animal. Mas existem outros selos que se esforçam nesse sentido. Cabe a cada um realizar suas escolhas de consumo consciente. Atualmente eu fico feliz em incentivar e consumir produtos veganos, para que as empresas (mesmo as que ainda não são veganas) se sintam estimuladas e caminhem mais e mais nessa direção.

Fontes:

https://www.peta.org/
https://www.peta.org/blog/dove-earns-cruelty-free-stamp-of-approval-added-to-beauty-without-bunnies-list/
https://www.dove.com/br/historias-Dove/sobre-Dove/no-animal-testing.html
https://www.maccosmetics.com.br/animaltesting
https://en.wikipedia.org/wiki/Cruelty-free
https://www.modefica.com.br/o-que-significa-de-verdade-o-termo-cruelty-free/#.XBaLD9tKjIU