Redes Sociais Virtuais

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Foto: June Alves de Arruda – Exposição: Paisagens Construídas  (2018). Arte de Gisela Motta e Leandro Lima | Relâmpago, 2015. Local: Olho, Museu Oscar Niemeyer (MON), Curitiba, PR, Brasil.

Primeiro veio a constatação do tempo perdido.
Horas gastas vendo a vida de outras pessoas. Alguns conhecidos. A maioria desconhecidos.
Horas preciosas de uma vida importante dedicados à expectação.
O olhar perdido no feed e o tempo se esvaindo.
Então seguiu-se o pensamento incômodo:
pessoas estranhas a olhar minha vida.
Alguns olhares amorosos, generosos, felizes.
Outros invejosos, rancorosos, negativos.
Como se proteger desses olhares e sua vibração infeliz?
Conexão.
Com que me conecto? E como essa conexão influi em mim?
Tempos de conflito.
Expor a vida ou se reservar?
Compartilhar indiscriminadamente?
Como equilibrar?
Tempos de conflito.
Do pior tipo.
interno.
Então o primeiro a cair: Facebook.
Como é a vida sem rede social?
A pergunta que imperou.
A ausência de informações.
O prazer do silêncio.
O tempo livre. Livro.
Tempo para realizar planos, sonhos.
Meses se passam. A falta diminui.
Novas atividades. Vida que acontece.
A segunda rede cai.
A terceira rede cai.
Uma rede permanece.
Um último fio de conexão virtual.
Por quanto tempo existirá?
A vida não é o que os olhos veem.
A vida é o que o espírito sente.
A vida é o que a gente faz.
Nossa vida.
Minha vida.