Liberté

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Você já teve que se defender?

Já ficou paralisado?

Com o cérebro recusando-se a funcionar,  o corpo travado, e o pânico calando suas palavras?

Você já sorriu enquanto sua alma se partia?

Já se olhou no espelho e não soube quem estava no reflexo?

Se culpou pelo que sofreu?

Tentou se matar?

Se revoltou?

Negou?

Até finalmente lembrar?

Entender?

Descobriu a força dentro de si?

E se perdoou?

E se amou?

E se libertou?

Eu já.

Alerta de gatilho no vídeo, tá

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Quando o destino coopera

Fonte: Pegcar

Fonte: Pegcar

Desde que me mudei para perto do meu trabalho, acalento um desejo: ir de bike pro trabalho. É saudável, é ecológico, e dizem que é libertador. Já andei lendo dicas de quem já usa a bike para se locomover para o trabalho e, como boa virginiana, estou planejando tudo.

Mas com a correria do dia a dia, a falta de uma bike e o pensamento de “depois eu faço isso”, acabei lendo um bocado sobre pedal e não pratiquei nada. Quer dizer, pratiquei sim. Na academia eu já pedalo oito km, dois a mais do que eu preciso para ir trabalhar, quatro a menos do que eu preciso para ir e voltar do trabalho.

Coincidentemente… eu não acredito em coincidência, tudo tem um motivo de ser, e eu ganhei em uma bike em uma rifa [sim, uma vez na vida eu ganhei algo em uma rifa!]. A magrela chegou terça-feira aqui em casa e amanhã estrearei a bonita. Tirando a ergométrica, eu não pedalo há mais de uma década, mas dizem que nunca se esquece como andar de bicicleta. Descobrirei amanhã a veracidade desse dito.

Creio que não terei problemas… Mas já estou deixando o plano reserva: suporte de bike no carro e a Mama avisada de que, talvez, eu precise ser socorrida para voltar para casa. Rs.

Como será que vou me sair?

O Não você já tem

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Em Fernando de Noronha.

Há um tempo atrás, em uma situação que não lembro qual, uma pessoa que não lembro quem me deu o mais sábio conselho da minha vida: o não você já tem.

O poder do óbvio quando revelado é incrível.

Temos medo de lutar pelos nossos sonhos, desejos, anseios. Alegamos temer receber um não. E como lidar com esse não? Com a rejeição?

Bom, aí entra o poder do óbvio que nem sempre percebemos: o não você já tem.

Ora. Qualquer que seja o seu sonho, desejo, anseio, ele já NÃO é seu,você já não o realiza. Então a temida rejeição já está conosco, em nós. A ausência é a premissa básica do querer. Não se quer o que se tem.

Então correr atrás significa lutar pelo sim, que pode ou não ser obtido, a depender do momento, do contexto. Em caso negativo, você apenas continua como já está. Em caso positivo, alcança o sucesso da empreitada.

Não é perdedores. Não há rejeição. Há apenas luta.

Só to pensando aqui…

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Imagem: por June Alves. Local: Ushuaia. Felicidade: crédito meu, obrigada. Ficou linda né?

Saudades de Ushuaia.

E da neve.

E de fotografar.

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Eu sou desse tipinho que pensa demais. Pensa por um longo tempo. Fica paralisado se tiver que tomar decisões impulsivas… e invariavelmente se arrepende depois.

Se eu me arrependo de pensar demais? Definitivamente não. Já me livrei de muita furada por ter refletido o suficiente sobre os prós e os contras.

Sim, eu perco o timing de algumas coisas. Lerdeza.

Em compensação quando decido fazer algo raramente volto atrás ou desisto. Eu vou até o fim.

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Você já parou para ver formiguinhas trabalhando em linha? Organizadamente enfileirada como uma industria finamente harmonizada?

E teve o espírito de porco de passar o dedo para ver se as formiguinhas se perdem? Se confundem?

Aquelas coisinhas… sempre acham o caminho de casa.

Incrível.

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Eu deveria estar escrevendo minha dissertação. Tô na reta final.

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Os homens dizem que a mulheres são complicadas.

Mulheres dizem que os homens são complicados.

Eu digo que ser humano é complicado.

Fala o que não pensa.

Pensa e não fala.

Joguinhos bestas. É tão mais fácil ser honesto.

Dizer logo que quer alguém bem.

E que quer estar bem ao lado dele.

Mas as regras sociais são uma bosta.

É, to chateada.

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Somente os tolos abandonam suas âncoras.

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Eu quero bolo de chocolate. Sem lactose.

Fofinho e molhadinho.

Quero me esbaldar.

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“Loving can hurt
Loving can hurt sometimes
But it’s the only thing that I know
When it gets hard
You know it can get hard sometimes
It is the only thing that makes us feel alive”

Ed Sheeran arrasa…

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Eu quero um quadro com uma ilustração do Manara.

 

Dores do corpo e dores da alma

Estar encarnada em um mundo de provas e expiações tem disso de doer. Tem hora em que o corpo dói. Tem horas em que a alma dói.

E que não se façam o absurdo de comparar as dores.

Para a dor no corpo há analgésicos. Presentinhos de Deus embalados pelo homem em alumínio e plástico.

Para as dores da alma resta esperar que o tempo faça aquilo em que ele é o melhor: curar.

E quando não inebria?

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Existem pessoas inebriantes. Aqueles que te preenchem os sentidos como um salto de pára quedas. Quase um soco no estômago. Forte e intenso, como uma boa caipirinha.

Mas, ás vezes, não inebria.

De forma suave a presença do outro te envolve. Dia a dia. Aula a aula. A palavra gentil e educada. A firmeza no posicionamento. O sorriso difícil de se revelar, o elogio discreto e sincero.

É assustador. Sem a pancada de se inebriar na pessoa, no cheiro e na presença, uma hora você se dá conta de que, em algum momento da convivência algo mudou e você não se deu conta. Sem aviso. Sem proteção. Sem salvaguardas.

De repente você olha sua estante e se dá conta que comprou livros apenas por que ele recomendou (ou escreveu). Percebe que leu trabalhos apenas por que relacionavam-se a ele. Sem se dar conta passou a manter ele em seu radar. Ali, no canto da mente, num lembrete delicado e discreto.

E em um dia sem querer, fora do lugar comum de vocês, você o olha e se dá conta do quão sexy ele é, e deseja ardentemente tocá-lo. Você pensa que talvez seja só a bebida, talvez seja só o ambiente relaxado, talvez seja só a solidão de quem está sozinha. Talvez seja tudo isso acumulado. Mas deixar o profissionalismo de lado e tocá-lo se torna mais sedutor que tudo.

Ele não é o ser mais desenvolto socialmente. Tem uma franqueza que chegar a ser rude. E uma muralha da China sobre a vida pessoal. Ele raramente relaxa.

E então você descobre que ele é macio e confortável. O tipo de homem para se deitar nos braços e falar besteira. Como um bom vinho, que se toma durante o jantar. Que ele cheira a boas lembranças. Ele não é um soco no estômago, mas um abraço envolvente onde se deseja ficar.

E é ele quem se afasta.

Hora de voltar ao lugar comum.

Quando?

Em que momento o respeito e a admiração se tornaram esse bem querer?

Quando foi que o bem querer se transformou em atração?