Pensamento solto

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Foto: Minha. Local: Costa do Sauipe – 2016

Uma das minhas melhores compras dos últimos anos: copo térmico da Nespresso. Meu melhor investimento. Fiel companheiro, dia e noite, garantindo minha hidratação com água fresca e uma puta economia para mim e para o planeta. Por baixo eu já paguei ele e já economizei mais de R$100 em garrafinhas de água, fora o lixo zero jogado no planeta.

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Estou eu aqui, serelepe, esperando o mestrado terminar para investir no professor gato (seria antiético investir antes, né?) quando descubro que ele mandou flores para uma conhecida minha.

E ela ainda vem me perguntar como ele é. Vou falar o que? Pensei em esculhambar, falar mal, detonar mesmo pra ela sair correndo… Mas aí eu lembro que devemos buscar ser felizes e fazer os outros felizes (ainda que a felicidade de alguns seja manter-se longe de nós). Love is in the air…

Falei bem da criatura e ainda indiquei os livros de poesia dele para mostrar uma faceta normalmente desconhecida dele na academia. #cupidofeelings

Me sinto bem com a boa ação do dia.

To tentando lembrar daquelas frases de bar sobre gostar de alguém e não ser correspondida… Só lembro de Justin Bieber:

‘Cause we all get lost sometimes, you know?
It’s how we learn and how we grow
And I wanna lay with you ‘til I’m old
You shouldn’t be fighting on your own

Eu e minha antena quebrada. ¬¬

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White sound é uma das melhores coisas para estudar.

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Terminei a dissertação. Agora é a defesa. Nervosismo e ansiedade me definem.

Pergunta pro psicólogo: Por que sempre acho que o que eu faço é inferior ao que os outros fazem?

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Passarinhos me acordam todos os dias de manhã. E é uma experiência fantástica. Isso me faz acordar bem, de bom humor. Feliz.

Mas tem dias que me faz pensar em passarinho frito… assado… ao molho…

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Come on, come on
Save me from my rocking boat
I just want to stay afloat
I’m all alone
And I hope, I hope
Someone’s gonna take me home
Somewhere I can rest my soul
I need to know

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Tá mudando tudo no trabalho. Eu gosto de mudanças, nos fazem amadurecer. Novas pessoas, novos estilos.

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Mantra do dia: Tá tudo bem falhar.

Não fui aprovada na seleção do doutorado.

Acho que Deus quer que eu descanse um ano…

Ou eu não me dediquei o suficiente…

Autocrítica é foda…

Autoconhecimento

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Uma das melhores decisões que tomei na minha vida foi dar um tempo em relacionamentos, entrar em uma solidão autoimposta, e me dedicar a mim mesma.

Eu fiz isso quando o mundo se tornou um ruído constante, um borrão sem fim. E eu era parte desse borrão.

Não sei o que teria acontecido sem essa pausa. Acho que eu não estaria mais aqui.

O processo foi lento. Um exercício simples como me olhar no espelho. Simplesmente parar e me olhar era um martírio. Muito choro, muito soluço, muita cara inchada e muito nariz entupido. Eu não entendia como podia doer tanto me olhar. E eu chorei. Meses sem fim.

Eu não compreendia o por que, mas a cada sessão de me olhar no espelho doía menos. Fui me tornando mais generosa com aquela menina no espelho.

Comecei um diário. Escrevia sem revisar nada, sem controlar o que escrevia. E às vezes lia o que tinha escrito. Alguns não fazem sentido até hoje. Outros sempre fizeram sentido. Alguns mudaram de sentido.

Foram anos fechada em minha concha, transformando minhas feridas em pérolas. Até retornar ao convívio social. Até estar pronta para permitir que pessoas entrassem na minha mente e coração.

Comecei tentando entender quem era a menina amedrontada… Acolhi ela. Busquei ajuda e encontrei.

E entendi que estava tudo bem. Que eu não precisava apenas reagir ao mundo.

Eu podia ser ação.

E me tornei a mulher que me olha de volta no espelho.

Alguém de quem me orgulho.

Eu me construí.

Eu me encontrei.

Eu sou minha obra-prima em construção.

Ser mulher em um mundo machista é assim…

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Fernando de Noronha. Foto minha.

…ser assediada antes dos 9 anos de idade, no meu caso aos 7. E ser culpada pelo assédio que sofri e sofro. Afinal que saia estou usando? Que blusa? E esse batom vermelho?

…saber que minha palavra sempre terá um valor inferior à dos que carregam o gene Y. Não importa quanto eu estude ou se trabalho bem, eu preciso me esforçar mais para obter o mesmo reconhecimento. E olha que eu trabalho em uma universidade e no serviço público, ambos locais onde o machismo vem perdendo a força, significativamente, quando comparado a outros locais, claro.

…ouvir que homens são de marte e mulheres são de vênus… logo ninguém é da Terra. Uma mesma espécie considerada tão distinta a ponto de pertencer a dois planetas diferentes, e temos que aprendemos a decodificar o que o outro quer dizer… Afinal, sinceridade para que?

…ter que dizer que tenho namorado, mesmo quando não tenho, apenas para me livrar de um homem “insistente”. E ouvir ele pedir desculpas ao namorado por ME incomodar.

…sempre pensar bem na roupa que vou vestir. Não pela ocasião, mas pelo perfil de homem que encontrarei.

…ter que aguentar calada quando homens invadem meu espaço pessoal na rua, ouvindo o quanto sou bonita ou gostosa, ou o que eles fariam comigo se pudessem “botar as mãos” em mim. E ter medo, vai que um deles resolve me perseguir, me bater ou me matar?

…ter a cabeça empurrada para o quadril do cara durante uma ficada, pois ele tem certeza que eu devo cair de joelhos na primeira oportunidade. E ser chamada de fresca e egoísta se eu não quiser fazer o oral.

…ter a mídia o tempo todo me mostrando o quanto sou imperfeita e feia. E quais os mil produtos e serviços que podem resolver isso.

…ouvir homens que me conhecem dizendo que não sabem como chegar em mulheres como eu… Nunca ocorreu a eles conversar e me conhecer melhor, saber meus gostos e sonhos.

…conversar com minhas amigas e descobrir que todas, sem exceção, já tiveram seus corpos tocados sem permissão. Que a maioria já fez sexo por que o namorado queria/forçou. E ouví-las justificando que homens “precisam” de sexo, mais do que mulheres.

…não denunciar o cara que me encoxou no ônibus, o colega que faz piadas misógenas, pois eu sei que não vai dar em nada. Reunir provas e testemunhas é difícil e estressante demais.

…é aprender que mulheres são inimigas que passam o tempo todo pensando em como roubar meu namorado. Como se meu namorado fosse um objeto que pudesse ser roubado, sem vontade, sem livre arbítrio. Uma marionete, coitado.

…é invejar a liberdade dos homens, ignorando os danos causados pelo machismo à saúde mental e emocional masculina. E gastar horas, dias, convencendo eles que se cuidar não é coisa de boiola, de fraco. E nem sempre conseguir.

…que amizade verdadeira só entre homens. Entre mulheres é falsidade, entre homens e mulheres é desejo contido.

…é voltar para casa a noite segurando as chaves de casa como se minha vida dependesse delas.

…o pânico de ouvir passos atrás, ou ver um ou mais vultos à frente. E o alívio de descobrir que é uma mulher.

…correr os olhos pelo quarto do namorado para ter certeza que ele não está gravando nossa intimidade, mesmo após meses de convivência. Slut Shaming tá na moda.

…ouvir pessoas defenderem que as “novinhas” são muito maduras. E que os homens mais velhos são “seduzidos” por elas. Pobres homens, tão indefesos.

…ler manchetes sobre a aparência das mulheres e os feitos dos homens.

…não conhecer as invenções de mulheres. Nem as heroínas da história.

A reta final

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A reta final de um mestrado é algo doloroso. Gratificante, mas doloroso.

Deve ser assim que os maratonistas se sentem quando estão chegando ao final da prova.

E quando eu falo doloroso, é doloroso mesmo! Eu tenho passado cerca de 12 horas sentada na cadeira.  Atualmente até inclui um cobertor de microfibra sobre a cadeira para ver se fica mais confortável. Eu fico sentada e encarando duas telas, um caderno de anotações que fica permanentemente aberto e, pelo menos, um livro aberto em algum lugar. O uso de duas telas facilitou demais a minha vida pois não fico abrindo e fechando a telinha minuscula do note o tempo todo enquanto faço uma citação ou analiso dados. O caderno me lembra de páginas, autores e citações… e pendências que eu ainda tenho faltando apenas seis dias para enviar para a banca meu trabalho.

A cada hora eu me levanto e estico as pernas e a coluna. Estou grata a Deus por ter tido início de LER aos vinte anos (muito game na veia) e hoje utilizar o mouse com ambas as mãos. Meus dois braços, mãos e ombros estão reclamando das horas usando o mouse, mas ao menos estou distribuindo a tensão. Para relaxar a coluna também invisto em alongamento e ler na cama esticando bem as pernas. Mas quando a noite chega é quase impossível não estar com dor de cabeça.

Ah! Eu acordo seis da manhã e meu primeiro pensamento costuma ser corrigir algum gráfico, rever alguma citação ou alguma lacuna do meu estudo. Ainda bem que quem me acorda são pássaros cantando, ao menos não é o celular.

Como se não bastasse ficar fisicamente exausta, some-se a isso a tensão de enviar para uma banca de avaliadores o fruto de dois anos de trabalho. Foram pilhas de livros lidos, centenas de artigos (apenas para a dissertação, fora os das disciplinas), questionários aplicados, entrevistas realizadas, amigos que não aguentam mais me ouvir falar de dissertação, exceto os guerreiros que estavam nessa empreitada comigo, claro!

Minha família até evita perguntar quando que eu FINALMENTE terminarei e terei tempo sobrando para curtir de novo. Honestamente, nem eu quero mais falar disso (da dissertação, não do meu tema, que eu AMO!). Mas eu não assisto mais séries quando são lançadas, perdi todos os lançamentos no cinema do último ano, quase todos dos últimos dois anos. Jogar vídeo game e ler livros que não sejam acadêmicos é uma lenda urbana na minha vida. Muito mal eu acesso o Facebook uma vez por dia e leio alguns pouquíssimos blogs que eu assino a newsletter uma vez por semana.

Nem sei se ainda sei beijar… Aff… Minha vida social, que já era fraquinha, agora é inexistente! Aliás, todos os meus amigos tem a missão de me levar para sair toda semana depois da defesa, eu preciso me divertir!

Eu já falei que são dois anos de dedicação a pesquisar um tema? E que a banca pode odiar? Pois é. Respeita o trabalho de pesquisadores que investem anos de suas vidas para compreender melhor o buraco da agulha no palheiro, seja generoso com eles.

Cada vez que minha orientadora revisa minha dissertação, ela volta com tantas correções e tarefas a fazer que eu nunca olho no dia que ela me devolve. Assisti Modern Family da última vez que enviei. Queria sorrir antes de me desesperar com o tanto de correções e apontamentos. Quanto mais se escreve, mais é preciso escrever. Seja objetivo.

Uma banca pode dizer que dois anos da minha vida foram em vão. Eu sou muito ansiosa. Cada vez que releio o que escrevo encontro novas lacunas e penso que deveria ter escrito diferente. Entendo hoje a minha primeira professora do Mestrado: “Dissertação não se termina, abandona!”. Mestre Yoda Marina (que a força esteja contigo!).

É isso. To cansada. Ansiosa. Comi tortinha de maçã do McDonalds hoje. Sou viciada nelas. Me ajudam a pensar melhor a cada mordida crocante.

Tem um pernilongo que quer me picar e eu passei Citronela para espantá-lo (odeio citronela), agora meu quarto está fedendo a citronela. Mas o pernilongo desapareceu.

Semana que vem, depois de enviar meu bebe elefante para ser dissecado pelos membros da banca (os membros da minha banca são alto nível!) eu vou deitar na cama e não vou fazer nada. Vou olhar o teto e não fazer nada. Depois eu vou ao cinema. Depois vou pegar minhas sobrinhas e ficar beijando elas até elas me mandarem parar. E eu vou continuar. E depois vou fazer maratona de Bridget Jones e Star Wars. E depois eu vou ler The Walking Dead. E depois vou terminar de ler El amor en los tiempos de cólera, que eu ainda não consegui terminar. E eu vou beber com meus amigos… algumas vezes.

Depois disso tudo já deve ser o dia de defender meu bebê.

Eu sou alérgica

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Imagem: June Alves. Local: Floralis Generica em Buenos Aires

Eu sou alérgica.

E eu O-D-E-I-O as restrições de ser alérgica.

Eu sou intolerante à lactose. Tem noção de que nuggets tem lactose? Que biscoito de polvilho tem lactose? Que molhos cremosos e risotos costumam ter lactose? Que hambúrguer tem lactose? É chato pra caramba.

Mas não bastasse isso eu sou alérgica à camarão. Ok, eu não acho isso triste pois nem gosto de camarão.E me poupa do choque no rosto das pessoas quando digo que não gosto de camarão. Isso mesmo. Eu não gosto de camarão e sou alérgica. Ótimo.

Mas o pior: sou alérgica a um componente básico de perfume. Sabe aquele creminho perfumado? Sou alérgica. Aquele perfuminho maravilhoso? Sou alérgica. O sabonetinho básico? Sou alérgica. O batom inocente? Sou alérgica.A base, a sombra, o esmalte?

Sou A-L-É-R-G-I-C-A.

Como eu sei? Eu fico lotada de espinhas.

Isso mesmo. Minha alergia se manifesta em espinhas.

Legal né? SQN

Essa sou eu.

Fresca. Linda. Chata. Maravilhosa.

Beijo na bunda!

Liberté

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Você já teve que se defender?

Já ficou paralisado?

Com o cérebro recusando-se a funcionar,  o corpo travado, e o pânico calando suas palavras?

Você já sorriu enquanto sua alma se partia?

Já se olhou no espelho e não soube quem estava no reflexo?

Se culpou pelo que sofreu?

Tentou se matar?

Se revoltou?

Negou?

Até finalmente lembrar?

Entender?

Descobriu a força dentro de si?

E se perdoou?

E se amou?

E se libertou?

Eu já.

Alerta de gatilho no vídeo, tá

Quando o destino coopera

Fonte: Pegcar

Fonte: Pegcar

Desde que me mudei para perto do meu trabalho, acalento um desejo: ir de bike pro trabalho. É saudável, é ecológico, e dizem que é libertador. Já andei lendo dicas de quem já usa a bike para se locomover para o trabalho e, como boa virginiana, estou planejando tudo.

Mas com a correria do dia a dia, a falta de uma bike e o pensamento de “depois eu faço isso”, acabei lendo um bocado sobre pedal e não pratiquei nada. Quer dizer, pratiquei sim. Na academia eu já pedalo oito km, dois a mais do que eu preciso para ir trabalhar, quatro a menos do que eu preciso para ir e voltar do trabalho.

Coincidentemente… eu não acredito em coincidência, tudo tem um motivo de ser, e eu ganhei em uma bike em uma rifa [sim, uma vez na vida eu ganhei algo em uma rifa!]. A magrela chegou terça-feira aqui em casa e amanhã estrearei a bonita. Tirando a ergométrica, eu não pedalo há mais de uma década, mas dizem que nunca se esquece como andar de bicicleta. Descobrirei amanhã a veracidade desse dito.

Creio que não terei problemas… Mas já estou deixando o plano reserva: suporte de bike no carro e a Mama avisada de que, talvez, eu precise ser socorrida para voltar para casa. Rs.

Como será que vou me sair?