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Alergias cosméticas

Até os 27 anos eu sofri com espinhas no rosto e no corpo que não respondiam a nenhum tratamento convencional. De produtos caros a baratos, de produtos naturais a manipulados, eu experimentei um bocado e todos falharam miseravelmente. Nada resolvia aquelas espinhas internas e doloridas.

Um belo dia, resolvi ir a um alergista para entender minha intolerância à lactose. Motivo: eu sabia que era intolerante à lactose, mas após minha primeira viagem internacional, para Buenos Aires, sua linda! Eu estranhei pois os produtos com lactose lá não me faziam mal como aqui. Por exemplo, um copo de leite no Brasil me leva ao inferno da indigestão e do trono por horas. Com direito a muita cólica e dor de cabeça. Mas o mesmo copo lá, não me fez mal. Tá, rolou uma colica leve, mas não foi o inferno que rola aqui.

O alergista me recomendou realizar dois exames que testam diversas alergias alimentares e cosméticas. No teste eu descobri que sou alérgica a Sulfato de Níquel, Amerchol L-101 e Perfume Mix. Dessas, o Perfume Mix é o que mais me afeta pois é ele o responsável por minhas espinhas. E ele exigiu muitas mudanças em minha vida. A principal delas: ler rótulos obsessivamente procurando os componentes aos quais sou alérgica. Outra mudança significativa foi ter que dar adeus a TODOS os cosméticos e perfumes que eu tinha e usava na época do exame.

Pensando na enorme dificuldade que eu tive de encontrar produtos que se adequassem às minhas necessidade pensei em começar a relatar aqui minha experiência com produtos que usei e não sou alérgica ou intolerante. E dar dicas amigas.

Ah! Sobre o leite! O alergista me explicou que a qualidade do leite brasileiro é bem ruim, e que muitas pessoas tem problemas com leite devido à essa baixa qualidade. Basta ver que na lista de ingredientes do seu

Ser mulher em um mundo machista é assim…

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Fernando de Noronha. Foto minha.

…ser assediada antes dos 9 anos de idade, no meu caso aos 7. E ser culpada pelo assédio que sofri e sofro. Afinal que saia estou usando? Que blusa? E esse batom vermelho?

…saber que minha palavra sempre terá um valor inferior à dos que carregam o gene Y. Não importa quanto eu estude ou se trabalho bem, eu preciso me esforçar mais para obter o mesmo reconhecimento. E olha que eu trabalho em uma universidade e no serviço público, ambos locais onde o machismo vem perdendo a força, significativamente, quando comparado a outros locais, claro.

…ouvir que homens são de marte e mulheres são de vênus… logo ninguém é da Terra. Uma mesma espécie considerada tão distinta a ponto de pertencer a dois planetas diferentes, e temos que aprendemos a decodificar o que o outro quer dizer… Afinal, sinceridade para que?

…ter que dizer que tenho namorado, mesmo quando não tenho, apenas para me livrar de um homem “insistente”. E ouvir ele pedir desculpas ao namorado por ME incomodar.

…sempre pensar bem na roupa que vou vestir. Não pela ocasião, mas pelo perfil de homem que encontrarei.

…ter que aguentar calada quando homens invadem meu espaço pessoal na rua, ouvindo o quanto sou bonita ou gostosa, ou o que eles fariam comigo se pudessem “botar as mãos” em mim. E ter medo, vai que um deles resolve me perseguir, me bater ou me matar?

…ter a cabeça empurrada para o quadril do cara durante uma ficada, pois ele tem certeza que eu devo cair de joelhos na primeira oportunidade. E ser chamada de fresca e egoísta se eu não quiser fazer o oral.

…ter a mídia o tempo todo me mostrando o quanto sou imperfeita e feia. E quais os mil produtos e serviços que podem resolver isso.

…ouvir homens que me conhecem dizendo que não sabem como chegar em mulheres como eu… Nunca ocorreu a eles conversar e me conhecer melhor, saber meus gostos e sonhos.

…conversar com minhas amigas e descobrir que todas, sem exceção, já tiveram seus corpos tocados sem permissão. Que a maioria já fez sexo por que o namorado queria/forçou. E ouví-las justificando que homens “precisam” de sexo, mais do que mulheres.

…não denunciar o cara que me encoxou no ônibus, o colega que faz piadas misógenas, pois eu sei que não vai dar em nada. Reunir provas e testemunhas é difícil e estressante demais.

…é aprender que mulheres são inimigas que passam o tempo todo pensando em como roubar meu namorado. Como se meu namorado fosse um objeto que pudesse ser roubado, sem vontade, sem livre arbítrio. Uma marionete, coitado.

…é invejar a liberdade dos homens, ignorando os danos causados pelo machismo à saúde mental e emocional masculina. E gastar horas, dias, convencendo eles que se cuidar não é coisa de boiola, de fraco. E nem sempre conseguir.

…que amizade verdadeira só entre homens. Entre mulheres é falsidade, entre homens e mulheres é desejo contido.

…é voltar para casa a noite segurando as chaves de casa como se minha vida dependesse delas.

…o pânico de ouvir passos atrás, ou ver um ou mais vultos à frente. E o alívio de descobrir que é uma mulher.

…correr os olhos pelo quarto do namorado para ter certeza que ele não está gravando nossa intimidade, mesmo após meses de convivência. Slut Shaming tá na moda.

…ouvir pessoas defenderem que as “novinhas” são muito maduras. E que os homens mais velhos são “seduzidos” por elas. Pobres homens, tão indefesos.

…ler manchetes sobre a aparência das mulheres e os feitos dos homens.

…não conhecer as invenções de mulheres. Nem as heroínas da história.

A reta final

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A reta final de um mestrado é algo doloroso. Gratificante, mas doloroso.

Deve ser assim que os maratonistas se sentem quando estão chegando ao final da prova.

E quando eu falo doloroso, é doloroso mesmo! Eu tenho passado cerca de 12 horas sentada na cadeira.  Atualmente até inclui um cobertor de microfibra sobre a cadeira para ver se fica mais confortável. Eu fico sentada e encarando duas telas, um caderno de anotações que fica permanentemente aberto e, pelo menos, um livro aberto em algum lugar. O uso de duas telas facilitou demais a minha vida pois não fico abrindo e fechando a telinha minuscula do note o tempo todo enquanto faço uma citação ou analiso dados. O caderno me lembra de páginas, autores e citações… e pendências que eu ainda tenho faltando apenas seis dias para enviar para a banca meu trabalho.

A cada hora eu me levanto e estico as pernas e a coluna. Estou grata a Deus por ter tido início de LER aos vinte anos (muito game na veia) e hoje utilizar o mouse com ambas as mãos. Meus dois braços, mãos e ombros estão reclamando das horas usando o mouse, mas ao menos estou distribuindo a tensão. Para relaxar a coluna também invisto em alongamento e ler na cama esticando bem as pernas. Mas quando a noite chega é quase impossível não estar com dor de cabeça.

Ah! Eu acordo seis da manhã e meu primeiro pensamento costuma ser corrigir algum gráfico, rever alguma citação ou alguma lacuna do meu estudo. Ainda bem que quem me acorda são pássaros cantando, ao menos não é o celular.

Como se não bastasse ficar fisicamente exausta, some-se a isso a tensão de enviar para uma banca de avaliadores o fruto de dois anos de trabalho. Foram pilhas de livros lidos, centenas de artigos (apenas para a dissertação, fora os das disciplinas), questionários aplicados, entrevistas realizadas, amigos que não aguentam mais me ouvir falar de dissertação, exceto os guerreiros que estavam nessa empreitada comigo, claro!

Minha família até evita perguntar quando que eu FINALMENTE terminarei e terei tempo sobrando para curtir de novo. Honestamente, nem eu quero mais falar disso (da dissertação, não do meu tema, que eu AMO!). Mas eu não assisto mais séries quando são lançadas, perdi todos os lançamentos no cinema do último ano, quase todos dos últimos dois anos. Jogar vídeo game e ler livros que não sejam acadêmicos é uma lenda urbana na minha vida. Muito mal eu acesso o Facebook uma vez por dia e leio alguns pouquíssimos blogs que eu assino a newsletter uma vez por semana.

Nem sei se ainda sei beijar… Aff… Minha vida social, que já era fraquinha, agora é inexistente! Aliás, todos os meus amigos tem a missão de me levar para sair toda semana depois da defesa, eu preciso me divertir!

Eu já falei que são dois anos de dedicação a pesquisar um tema? E que a banca pode odiar? Pois é. Respeita o trabalho de pesquisadores que investem anos de suas vidas para compreender melhor o buraco da agulha no palheiro, seja generoso com eles.

Cada vez que minha orientadora revisa minha dissertação, ela volta com tantas correções e tarefas a fazer que eu nunca olho no dia que ela me devolve. Assisti Modern Family da última vez que enviei. Queria sorrir antes de me desesperar com o tanto de correções e apontamentos. Quanto mais se escreve, mais é preciso escrever. Seja objetivo.

Uma banca pode dizer que dois anos da minha vida foram em vão. Eu sou muito ansiosa. Cada vez que releio o que escrevo encontro novas lacunas e penso que deveria ter escrito diferente. Entendo hoje a minha primeira professora do Mestrado: “Dissertação não se termina, abandona!”. Mestre Yoda Marina (que a força esteja contigo!).

É isso. To cansada. Ansiosa. Comi tortinha de maçã do McDonalds hoje. Sou viciada nelas. Me ajudam a pensar melhor a cada mordida crocante.

Tem um pernilongo que quer me picar e eu passei Citronela para espantá-lo (odeio citronela), agora meu quarto está fedendo a citronela. Mas o pernilongo desapareceu.

Semana que vem, depois de enviar meu bebe elefante para ser dissecado pelos membros da banca (os membros da minha banca são alto nível!) eu vou deitar na cama e não vou fazer nada. Vou olhar o teto e não fazer nada. Depois eu vou ao cinema. Depois vou pegar minhas sobrinhas e ficar beijando elas até elas me mandarem parar. E eu vou continuar. E depois vou fazer maratona de Bridget Jones e Star Wars. E depois eu vou ler The Walking Dead. E depois vou terminar de ler El amor en los tiempos de cólera, que eu ainda não consegui terminar. E eu vou beber com meus amigos… algumas vezes.

Depois disso tudo já deve ser o dia de defender meu bebê.

Quando o destino coopera

Fonte: Pegcar

Fonte: Pegcar

Desde que me mudei para perto do meu trabalho, acalento um desejo: ir de bike pro trabalho. É saudável, é ecológico, e dizem que é libertador. Já andei lendo dicas de quem já usa a bike para se locomover para o trabalho e, como boa virginiana, estou planejando tudo.

Mas com a correria do dia a dia, a falta de uma bike e o pensamento de “depois eu faço isso”, acabei lendo um bocado sobre pedal e não pratiquei nada. Quer dizer, pratiquei sim. Na academia eu já pedalo oito km, dois a mais do que eu preciso para ir trabalhar, quatro a menos do que eu preciso para ir e voltar do trabalho.

Coincidentemente… eu não acredito em coincidência, tudo tem um motivo de ser, e eu ganhei em uma bike em uma rifa [sim, uma vez na vida eu ganhei algo em uma rifa!]. A magrela chegou terça-feira aqui em casa e amanhã estrearei a bonita. Tirando a ergométrica, eu não pedalo há mais de uma década, mas dizem que nunca se esquece como andar de bicicleta. Descobrirei amanhã a veracidade desse dito.

Creio que não terei problemas… Mas já estou deixando o plano reserva: suporte de bike no carro e a Mama avisada de que, talvez, eu precise ser socorrida para voltar para casa. Rs.

Como será que vou me sair?

Para Viver um Grande Amor – Carlos Drummond de Andrade

É preciso abrir todas as portas que fecham o coração.
Quebrar barreiras construídas ao longo do tempo,
Por amores do passado que foram em vão
É preciso muita renúncia em ser e mudança no pensar.
É preciso não esquecer que ninguém vem perfeito para nós!
É preciso ver o outro com os olhos da alma e se deixar cativar!
É preciso renunciar ao que não agrada ao seu amor…
Para que se moldem um ao outro como se molda uma escultura,
Aparando as arestas que podem machucar.
É como lapidar um diamante bruto…para fazê-lo brilhar!
E quando decidir que chegou a sua hora de amar,
Lembre-se que é preciso haver identificação de almas!
De gostos, de gestos, de pele…
No modo de sentir e de pensar!
É preciso ver a luz iluminar a aura,
Dando uma chance para que o amor te encontre
Na suavidade morna de uma noite calma…
É preciso se entregar de corpo e alma!
É preciso ter dentro do coração um sonho
Que se acalenta no desejo de: amar e ser amada!
É preciso conhecer no outro o ser tão procurado!
É preciso conquistar e se deixar seduzir…
Entrar no jogo da sedução e deixar fluir!
Amar com emoção para se saber sentir
A sensação do momento em que o amor te devora!
E quando você estiver vivendo no clímax dessa paixão,
Que sinta que essa foi a melhor de suas escolhas!
Que foi seu grande desafio… e o passo mais acertado
De todos os caminhos de sua vida trilhados!
Mas se assim não for…
Que nunca te arrependas pelo amor dado!
Faz parte da vida arriscar-se por um sonho…
Porque se não fosse assim, nunca teríamos sonhado!
Mas, antes de tudo, que você saiba que tem aliado.
Ele se chama TEMPO… seu melhor amigo.
Só ele pode dar todas as certezas do amanhã…
A certeza que… realmente você amou.
A certeza que… realmente você foi amada.

A Obra de Guillermo Lorca

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[Imagem: Autoretrato por Guillermo Lorca]

Guillermo Lorca é um pintor chileno cuja obra eu tive o prazer de conhecer em 2014, em uma visita ao Museu Nacional de Belas Artes em Santiago, no Chile.

Eu não sou nem pretendo ser expert em artes. Na realidade, a maioria dos artistas eu sei que são importantes pelo momento histórico e tal, mas não costumo realmente apreciar a obra sabe? Eu costumo dizer que em artes meu gosto é infantil. É coloridinho e fofo? Então eu provavelmente vou gostar.

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[Imagem: La Vida Eterna por Guillermo Lorca]

Guillhermo Lorca foi o primeiro artista que eu tenho vontade de olhar o dia inteiro. Eu não canso das pinturas dele. São bonitas, com um quê de violência, de sonho, de sensualidade, de inocência. Mexe comigo, com minha mente. E não é por ficar pensando na arte, é realmente apreciar a arte. Eu passei horas no museu olhando a exposição dele. Voltava para ver os quadros. Queria ver de novo. Na tela do PC é bonito, mas pessoalmente a arte dele é impressionante. Cada pincelada dele é… gostosa de ver, de sentir, e incomoda.

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[Imagem: Incendio II por Guillermo Lorca]

Pesquisando descobri que ele é um artista novo, filho de uma escritora. E já teve até matéria na Rolling Stones sobre ele. E o mais gostoso da obra dele é que não há um quadro predileto. Todos são realmente maravilhosos. Vale a pena conhecer.

Guillermo Lorca

[Imagem: Casita de Dulces II por Guillermo Lorca]