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Autoconhecimento

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Uma das melhores decisões que tomei na minha vida foi dar um tempo em relacionamentos, entrar em uma solidão autoimposta, e me dedicar a mim mesma.

Eu fiz isso quando o mundo se tornou um ruído constante, um borrão sem fim. E eu era parte desse borrão.

Não sei o que teria acontecido sem essa pausa. Acho que eu não estaria mais aqui.

O processo foi lento. Um exercício simples como me olhar no espelho. Simplesmente parar e me olhar era um martírio. Muito choro, muito soluço, muita cara inchada e muito nariz entupido. Eu não entendia como podia doer tanto me olhar. E eu chorei. Meses sem fim.

Eu não compreendia o por que, mas a cada sessão de me olhar no espelho doía menos. Fui me tornando mais generosa com aquela menina no espelho.

Comecei um diário. Escrevia sem revisar nada, sem controlar o que escrevia. E às vezes lia o que tinha escrito. Alguns não fazem sentido até hoje. Outros sempre fizeram sentido. Alguns mudaram de sentido.

Foram anos fechada em minha concha, transformando minhas feridas em pérolas. Até retornar ao convívio social. Até estar pronta para permitir que pessoas entrassem na minha mente e coração.

Comecei tentando entender quem era a menina amedrontada… Acolhi ela. Busquei ajuda e encontrei.

E entendi que estava tudo bem. Que eu não precisava apenas reagir ao mundo.

Eu podia ser ação.

E me tornei a mulher que me olha de volta no espelho.

Alguém de quem me orgulho.

Eu me construí.

Eu me encontrei.

Eu sou minha obra-prima em construção.

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Liberté

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Você já teve que se defender?

Já ficou paralisado?

Com o cérebro recusando-se a funcionar,  o corpo travado, e o pânico calando suas palavras?

Você já sorriu enquanto sua alma se partia?

Já se olhou no espelho e não soube quem estava no reflexo?

Se culpou pelo que sofreu?

Tentou se matar?

Se revoltou?

Negou?

Até finalmente lembrar?

Entender?

Descobriu a força dentro de si?

E se perdoou?

E se amou?

E se libertou?

Eu já.

Alerta de gatilho no vídeo, tá

O Não você já tem

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Em Fernando de Noronha.

Há um tempo atrás, em uma situação que não lembro qual, uma pessoa que não lembro quem me deu o mais sábio conselho da minha vida: o não você já tem.

O poder do óbvio quando revelado é incrível.

Temos medo de lutar pelos nossos sonhos, desejos, anseios. Alegamos temer receber um não. E como lidar com esse não? Com a rejeição?

Bom, aí entra o poder do óbvio que nem sempre percebemos: o não você já tem.

Ora. Qualquer que seja o seu sonho, desejo, anseio, ele já NÃO é seu,você já não o realiza. Então a temida rejeição já está conosco, em nós. A ausência é a premissa básica do querer. Não se quer o que se tem.

Então correr atrás significa lutar pelo sim, que pode ou não ser obtido, a depender do momento, do contexto. Em caso negativo, você apenas continua como já está. Em caso positivo, alcança o sucesso da empreitada.

Não é perdedores. Não há rejeição. Há apenas luta.

Só to pensando aqui…

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Imagem: por June Alves. Local: Ushuaia. Felicidade: crédito meu, obrigada. Ficou linda né?

Saudades de Ushuaia.

E da neve.

E de fotografar.

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Eu sou desse tipinho que pensa demais. Pensa por um longo tempo. Fica paralisado se tiver que tomar decisões impulsivas… e invariavelmente se arrepende depois.

Se eu me arrependo de pensar demais? Definitivamente não. Já me livrei de muita furada por ter refletido o suficiente sobre os prós e os contras.

Sim, eu perco o timing de algumas coisas. Lerdeza.

Em compensação quando decido fazer algo raramente volto atrás ou desisto. Eu vou até o fim.

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Você já parou para ver formiguinhas trabalhando em linha? Organizadamente enfileirada como uma industria finamente harmonizada?

E teve o espírito de porco de passar o dedo para ver se as formiguinhas se perdem? Se confundem?

Aquelas coisinhas… sempre acham o caminho de casa.

Incrível.

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Eu deveria estar escrevendo minha dissertação. Tô na reta final.

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Os homens dizem que a mulheres são complicadas.

Mulheres dizem que os homens são complicados.

Eu digo que ser humano é complicado.

Fala o que não pensa.

Pensa e não fala.

Joguinhos bestas. É tão mais fácil ser honesto.

Dizer logo que quer alguém bem.

E que quer estar bem ao lado dele.

Mas as regras sociais são uma bosta.

É, to chateada.

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Somente os tolos abandonam suas âncoras.

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Eu quero bolo de chocolate. Sem lactose.

Fofinho e molhadinho.

Quero me esbaldar.

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“Loving can hurt
Loving can hurt sometimes
But it’s the only thing that I know
When it gets hard
You know it can get hard sometimes
It is the only thing that makes us feel alive”

Ed Sheeran arrasa…

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Eu quero um quadro com uma ilustração do Manara.

 

Dúvidas

Se tem uma coisa que se aprende em um mestrado é a duvidar.

Ninguém diz que é fácil, muito menos confortável. Mas certamente é saudável.

Duvidar daquilo que se tinha como certo, imutável. Duvidar de crenças e hábitos. É claro que como em tudo, o exagero é pernicioso. Dúvida em excesso paralisa, dúvida saudável nos impulsiona para solucionar o objeto da dúvida e evita que a mente se torne intransigente.

Duvidar nos permite manter a curiosidade, descobrir o mundo, repensar as regras e o certo. Duvidar é como um alongamento para a mente, garante elasticidade e nos mantém atualizados com o que existe ao nosso redor.

Duvidar é um respiro saudável durante um mergulho. Para mim se tornou o momento em que paro e olho ao meu redor, para ter certeza que estou no caminho que escolhi, se não preciso mudar algo ou replanejar algo.

Estranhamente, duvidar de que se está no caminho certo nos permite seguir com mais certeza e segurança rumo àquilo que se deseja.

Eu estou atrasada!

White Rabbit - I am late

Eu estava atrasada.

Em tudo.

Livros, filmes, sexo, estudos, amor, família, amigos, diversão, vida.

Sempre dois dias atrasada. Um ano atrasada. Uma vida atrasada.

Há tanta coisa para fazer. Tanta gente para conhecer. Tanto para aprender!

É estressante estar aqui e estar atrasada.

Nunca há tempo suficiente…

Nunca haveria tempo suficiente.

Esses dias me deparei parada, olhando o tempo e as pessoas a minha volta.

Estava observando formigas e peixes.

A tensão tomou conta de mim.

Um alerta primitivo de perigo.

Levei dias para entender aquele estado.

Esse estado.

Uma vida atrasada e você não sabe mais o que é estar no tempo certo.

O risco de estar no tempo certo.

E ter tempo.

Seu próprio tempo.

Eu não estou mais atrasada.

Quando mudar se torna um desejo superior

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Universidade de Brasília: como não amar andar nessas suas trilhas?

Permanecer como é. Continuar onde está. Fazer como sempre foi feito. Essas são ações confortáveis. Podemos reclamar da vida, chorar que nada de bom ou novo acontece. Mas nada melhor do que continuar onde estamos.

Se eu me lembro das aulas de física no ensino médio, tem uma lei que dizia que um corpo parado tende a ficar parado. Primeira lei de Newton. Que os físicos me perdoem, leis da física não se aplicam a comportamento humano (ou se aplicam?), mas existem frases tão perfeitas que merecem ser imortalizadas por isso. Nesse caso, a primeira lei de Newton descreve tão perfeitamente, mas tão perfeitamente esse comportamento humano que seria abuso meu não usá-la.

E eu sou uma pessoa que gosta do conforto. Culpa do meu signo: Virgem, que adora a tradição, ou minha lua em Touro, que gosta de conforto mesmo. Ou talvez não seja culpa de ninguém. Para mim é um fato que mudanças são apavorantes. Viciantes para alguns.

Mas existe um momento, um desses dos quais não se escapa, em que mudar se torna um desejo superior ao permanecer. Em que o conforto de ficar se torna um incomodo, uma contrariedade. Existem os que resistem, ficam paradinhos esperando essa ânsia passar. Existem os que se agarram a ela e vão. E existem os que como eu, a usam para planejar como mudar (Virginiana com ascendente em Capricórnio minha gente).

E daí que você está sentindo essa vibração em que a mudança se torna cada vez mais necessária, e então você lê uma poesia. Esses momentos meio mágicos em que um poeta, anos atrás, escreveu o que você leria hoje, no momento exato, quase como uma predição do futuro que ele (o poeta) não sabe que fez.

É difícil mudar de pista
É difícil decidir mudar de pista
A vida exige movimentos bruscos
Não dá para abrir mão do retrovisor

Pedro Resende

Por que mudar não é nada fácil. Pessoas ficam chateadas. Você fica ansiosa. Pessoas se decepcionam com a imagem que projetaram em você. E você fica com medo do desconhecido. Por que mudar de pista é encarar o novo. É ir para um lugar onde você nunca esteve. É se dispor ao fracasso… e ao sucesso. Mas ficar não é mais uma opção. E saber disso te oferece a força de seguir.

Só não abra mão do retrovisor.

PS.: O Livro é Relatos, Extratos e Poesia.