A vida perfeita do Instagram e outras redes sociais

Eu abro os olhos. Ainda não são 6h. Ótimo, acordei cedo, antes do celular.
O Celular! O que será que aconteceu enquanto eu dormia?
Abro meu Whats App. Leio as mensagens.
Abro o Facebook. Vejo as curtidas na minha última foto. O que meus amigos estão postando?
O que está acontecendo?
Hora do Instagram. Rolo as imagens. uma amiga cortou o cabelo. Outra está estudando.  Meu colega foi numa cafeteria nova. Pessoas na praia. Lindas mulheres de biquini. Festas. Viajantes. Livros lidos. Séries maratonadas. Frases de apoio. Lindos cachorrinhos e gatos. Animais exóticos. Ufa! Todos estão fazendo coisas tão interessantes! E eu na cama. Acordando com a cara inchada, pijama velho, unha sem fazer, cabelo parecendo um ninho, tentando me arrastar para fora da cama, escovar os dentes, fazer xixi, tomar um café com o pão velho (eu deveria ir na padaria comprar pão novo?) e ir fazer uma caminhada com minha legging, meu tênis antigo e a camiseta velha, rasgada para virar uma regata (roupa de malhar é cara demais!).
É oficial. Meu dia tá uma merda. E eu nem saí da cama.

Essa foi minha realidade por um bom tempo da minha vida. A terapia e os exercícios para melhorar minha autoestima viviam em conflito dentro de mim. E eu não entendia o motivo. Sessões e sessões de terapia, conversas com minha amiga, lágrimas no banho. A teoria estava inteira na minha mente. Eu sabia sobre padrões de beleza inalcançáveis, a importância de me aceitar e, se possível, me amar. Eu poderia fazer discursos (e fazia) estimulando minhas amigas e conhecidas sobre o tema.

Mas eu não evoluía. Minha auto estima estava penando para aparecer. Cade a mulher auto confiante e esperta? Cade minha inteligência? Eu me cobrava. E me frustrava.

Um dia, passeando pela internet eu li a pergunta: Quem você segue nas redes sociais?

A pergunta me incomodou. Mas eu não prestei atenção. Eu sigo celebridades, amigos, conhecidos, todo mundo que me interessa.

Na manhã seguinte.
Eu abro os olhos. Ainda não são 6h. Ótimo, acordei cedo, antes do celular.
O Celular! O que será que aconteceu enquanto eu dormia?
Abro meu Whats App. Leio as mensagens.
Abro o Facebook. Vejo as curtidas na minha última foto. O que meus amigos estão postando?
O que está acontecendo?
Hora do Instagram.

CHOQUE.

Quem eu sigo nas redes sociais?

Voltei a olhar meu Instagram, o que tem de errado aqui? São pessoas que eu conheço, que eu admiro, inspirações. Olho o Facebook. Sento na cama. Repito o processo. O que tem de errado? Corro pelo feed.

E então a compreensão vem em um segundo choque. Ninguém parece comigo. Minhas amigas são as mais normais, mas essas pessoas, todas são muito diferentes de mim. Na hora não ficou claro o significado. A terapia serviu para esse propósito.

Minha luta por mim não tinha incluído a mudança de hábitos. Eu ainda seguia os mesmos perfis. Musas fitness. Dietas. Maquiagem. Eu estava lendo e consumindo o que tinha me levado ao que eu não queria mais ser.

Mais um passo no processo começava a ser dado. Dei unfollow em muitos perfis, especialmente os fitness, os de dieta e maquiagem. Busquei novos. Comecei pela Ju Romano, uma das primeiras mulheres plus size que conheci. Não me contentei com o universo plus size, onde me vejo. Busquei diversidade.

Ao mesmo tempo busquei ler sobre redes sociais e seus impactos na auto estima. Como ela afeta principalmente (mas não exclusivamente) mulheres jovens. Entendi que a ferramenta não é ruim. Ruim é o uso que fazemos dela. Li sobre as edições de fotos e vídeos, assisti uma infinidade de tutoriais de como melhorar fotos, poses, ângulos. A vida digital pode ser editada, recortada, melhorada, aprimorada, até a “perfeição”.

A vida real não é editável. Não dá para viver só coisas boas e momentos inesquecíveis. Coisas ruins acontecem. A rotina domina. Vivemos altos e baixos. E tudo bem. Mas nas redes sociais, só as coisas boas aparecem. Todos estão felizes, conquistando coisas, vivendo aventuras, sendo lindos.

Instagram

Fonte: Nexo Jornal

Mudar quem eu seguia nas redes, especialmente Instagram, me permitiu finalmente ver resultados na minha luta por mim. Ver mulheres como eu, e diferentes de mim mas fora dos padrões também. Essa diversidade, aos poucos, treinou meu olhar, me tornou mais generosa, com elas e comigo. As palavras duras que ressoavam na minha cabeça foram perdendo a força.

E eu finalmente comecei a me aceitar… e amar.

Texto de 2016, mas ainda atual.

 

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Autoconhecimento

1

 

Uma das melhores decisões que tomei na minha vida foi dar um tempo em relacionamentos, entrar em uma solidão autoimposta, e me dedicar a mim mesma.

Eu fiz isso quando o mundo se tornou um ruído constante, um borrão sem fim. E eu era parte desse borrão.

Não sei o que teria acontecido sem essa pausa. Acho que eu não estaria mais aqui.

O processo foi lento. Um exercício simples como me olhar no espelho. Simplesmente parar e me olhar era um martírio. Muito choro, muito soluço, muita cara inchada e muito nariz entupido. Eu não entendia como podia doer tanto me olhar. E eu chorei. Meses sem fim.

Eu não compreendia o por que, mas a cada sessão de me olhar no espelho doía menos. Fui me tornando mais generosa com aquela menina no espelho.

Comecei um diário. Escrevia sem revisar nada, sem controlar o que escrevia. E às vezes lia o que tinha escrito. Alguns não fazem sentido até hoje. Outros sempre fizeram sentido. Alguns mudaram de sentido.

Foram anos fechada em minha concha, transformando minhas feridas em pérolas. Até retornar ao convívio social. Até estar pronta para permitir que pessoas entrassem na minha mente e coração.

Comecei tentando entender quem era a menina amedrontada… Acolhi ela. Busquei ajuda e encontrei.

E entendi que estava tudo bem. Que eu não precisava apenas reagir ao mundo.

Eu podia ser ação.

E me tornei a mulher que me olha de volta no espelho.

Alguém de quem me orgulho.

Eu me construí.

Eu me encontrei.

Eu sou minha obra-prima em construção.

Liberté

2

Você já teve que se defender?

Já ficou paralisado?

Com o cérebro recusando-se a funcionar,  o corpo travado, e o pânico calando suas palavras?

Você já sorriu enquanto sua alma se partia?

Já se olhou no espelho e não soube quem estava no reflexo?

Se culpou pelo que sofreu?

Tentou se matar?

Se revoltou?

Negou?

Até finalmente lembrar?

Entender?

Descobriu a força dentro de si?

E se perdoou?

E se amou?

E se libertou?

Eu já.

Alerta de gatilho no vídeo, tá

O Não você já tem

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Em Fernando de Noronha.

Há um tempo atrás, em uma situação que não lembro qual, uma pessoa que não lembro quem me deu o mais sábio conselho da minha vida: o não você já tem.

O poder do óbvio quando revelado é incrível.

Temos medo de lutar pelos nossos sonhos, desejos, anseios. Alegamos temer receber um não. E como lidar com esse não? Com a rejeição?

Bom, aí entra o poder do óbvio que nem sempre percebemos: o não você já tem.

Ora. Qualquer que seja o seu sonho, desejo, anseio, ele já NÃO é seu,você já não o realiza. Então a temida rejeição já está conosco, em nós. A ausência é a premissa básica do querer. Não se quer o que se tem.

Então correr atrás significa lutar pelo sim, que pode ou não ser obtido, a depender do momento, do contexto. Em caso negativo, você apenas continua como já está. Em caso positivo, alcança o sucesso da empreitada.

Não é perdedores. Não há rejeição. Há apenas luta.

Só to pensando aqui…

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Imagem: por June Alves. Local: Ushuaia. Felicidade: crédito meu, obrigada. Ficou linda né?

Saudades de Ushuaia.

E da neve.

E de fotografar.

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Eu sou desse tipinho que pensa demais. Pensa por um longo tempo. Fica paralisado se tiver que tomar decisões impulsivas… e invariavelmente se arrepende depois.

Se eu me arrependo de pensar demais? Definitivamente não. Já me livrei de muita furada por ter refletido o suficiente sobre os prós e os contras.

Sim, eu perco o timing de algumas coisas. Lerdeza.

Em compensação quando decido fazer algo raramente volto atrás ou desisto. Eu vou até o fim.

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Você já parou para ver formiguinhas trabalhando em linha? Organizadamente enfileirada como uma industria finamente harmonizada?

E teve o espírito de porco de passar o dedo para ver se as formiguinhas se perdem? Se confundem?

Aquelas coisinhas… sempre acham o caminho de casa.

Incrível.

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Eu deveria estar escrevendo minha dissertação. Tô na reta final.

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Os homens dizem que a mulheres são complicadas.

Mulheres dizem que os homens são complicados.

Eu digo que ser humano é complicado.

Fala o que não pensa.

Pensa e não fala.

Joguinhos bestas. É tão mais fácil ser honesto.

Dizer logo que quer alguém bem.

E que quer estar bem ao lado dele.

Mas as regras sociais são uma bosta.

É, to chateada.

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Somente os tolos abandonam suas âncoras.

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Eu quero bolo de chocolate. Sem lactose.

Fofinho e molhadinho.

Quero me esbaldar.

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“Loving can hurt
Loving can hurt sometimes
But it’s the only thing that I know
When it gets hard
You know it can get hard sometimes
It is the only thing that makes us feel alive”

Ed Sheeran arrasa…

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Eu quero um quadro com uma ilustração do Manara.

 

Dúvidas

Se tem uma coisa que se aprende em um mestrado é a duvidar.

Ninguém diz que é fácil, muito menos confortável. Mas certamente é saudável.

Duvidar daquilo que se tinha como certo, imutável. Duvidar de crenças e hábitos. É claro que como em tudo, o exagero é pernicioso. Dúvida em excesso paralisa, dúvida saudável nos impulsiona para solucionar o objeto da dúvida e evita que a mente se torne intransigente.

Duvidar nos permite manter a curiosidade, descobrir o mundo, repensar as regras e o certo. Duvidar é como um alongamento para a mente, garante elasticidade e nos mantém atualizados com o que existe ao nosso redor.

Duvidar é um respiro saudável durante um mergulho. Para mim se tornou o momento em que paro e olho ao meu redor, para ter certeza que estou no caminho que escolhi, se não preciso mudar algo ou replanejar algo.

Estranhamente, duvidar de que se está no caminho certo nos permite seguir com mais certeza e segurança rumo àquilo que se deseja.

Eu estou atrasada!

White Rabbit - I am late

Eu estava atrasada.

Em tudo.

Livros, filmes, sexo, estudos, amor, família, amigos, diversão, vida.

Sempre dois dias atrasada. Um ano atrasada. Uma vida atrasada.

Há tanta coisa para fazer. Tanta gente para conhecer. Tanto para aprender!

É estressante estar aqui e estar atrasada.

Nunca há tempo suficiente…

Nunca haveria tempo suficiente.

Esses dias me deparei parada, olhando o tempo e as pessoas a minha volta.

Estava observando formigas e peixes.

A tensão tomou conta de mim.

Um alerta primitivo de perigo.

Levei dias para entender aquele estado.

Esse estado.

Uma vida atrasada e você não sabe mais o que é estar no tempo certo.

O risco de estar no tempo certo.

E ter tempo.

Seu próprio tempo.

Eu não estou mais atrasada.