Fazendo as Pazes com o Corpo, por Daiana Garbin

Título: Fazendo as Pazes com o Corpo.
Autora: Daiana Garbin
Editora: Sextante
Edição: 1º
Ano: 2017
Páginas: 168

Link para o site oficial: http://fazendoaspazescomocorpo.com.br/ 

“A insatisfação com o corpo é muito comum. E, especialmente no caso das mulheres, é incentivada pelo mercado, pela mídia e até pelas próprias mulheres. Daiana resolveu falar sobre isso. E aí você pensa: Uau, que legal, ela está curada e vai me ensinar a me curar! Não. Ela vai oferecer algo muito melhor: a verdade.” – do prefácio de TIAGO LEIFERT

Daiana Garbin passou 22 anos odiando o próprio corpo. Sentia-se eternamente inadequada, desejava ser reta, seca. Só pele e osso. Tinha vergonha de si mesma e de seu descontrole diante da comida.

Encarou dietas hiper-restritivas, passou por três cirurgias plásticas, fez procedimentos estéticos agressivos e ficou viciada em remédios para emagrecer – sempre acreditando que um corpo magro lhe traria paz e felicidade.

Foi só depois de muito sofrimento que ela descobriu que a insatisfação profunda que sentia em relação ao corpo não era vaidade nem frescura: era doença.

Diagnosticada com transtorno alimentar, Daiana decidiu compartilhar sua história para ajudar as pessoas que sofrem em silêncio por querer se enquadrar em padrões inatingíveis e acabam deixando de aproveitar a própria vida.

Neste livro, ela revela o longo caminho que percorreu para aprender a ficar em paz com seu corpo e com a comida – os altos e baixos, o que deu certo e o que deu errado, as vezes que quis desistir e o momento em que percebeu que existia uma saída.

Trazendo entrevistas com nutricionistas, psicólogos e psiquiatras, Fazendo as pazes com o corpoprovoca uma necessária discussão sobre o perigo dos transtornos alimentares, o lado nocivo das redes sociais, o padrão de beleza irreal imposto pela mídia e o papel da autocompaixão no processo de cura.

Precisamos reaprender a ser amáveis com nós mesmas. Com frequência somos gentis com os outros e cruéis conosco. Quantas vezes você disse a outra pessoa como ela é linda? Por que não consegue dizer a si mesma que é bonita,competente, forte, inteligente, que é suficiente? Trate-se com carinho, com compaixão, gentileza, amor, paciência, delicadeza, generosidade. Você não trata as pessoas que ama dessa forma? Então por que se trata com ódio, impaciência, rigidez?
Você chamaria alguém de baleia, porca, gorda, preguiçosa, sem determinação, fracassada, incapaz de conter os próprios impulsos e se controlar? Teria coragem de fazer isso? Então por que faz com você?

O que eu achei deste livro:

Uma única obra e milhares de sentimentos e sensações, lembranças e projeções se fazem presentes. Me dei esse livro pois achei que iria encontrar respostas nele. Encontrei. Mas também encontrei perguntas. Muitas perguntas. E o bom das perguntas é que, se você não sufocá-las, elas te levarão para um caminho sem volta.

A autora, Daiana Garbin, tem um canal no Youtube, o EuVejo, que é um dos meus canais prediletos pois me faz bem. Mas ainda não tinha encarado o livro. Primeiro por que intuímos quando estamos ou não prontos para algo. Segundo, por que com a correria do doutorado, não tenho tido tempo de ler algo além de artigos. Mas como decidi que minha saúde mental era importante também, estou reservando um tempo para mim.

Pessoalmente, decidi que leria esse livro, antes de muitos outros que se encontram na minha estante, pois foi um dia especialmente ruim, piorado por uma TPM que sabia o dia certo para me deixar pior. Ele me ajudou a organizar muitos pensamentos horríveis que tive em relação a mim mesma. Então já começo muito grata, pois ele acalmou meu coração. E o mais importante, me conectou com outra história. Outra mulher. Que enfrenta o que eu enfrento. E através do livro, conversamos. E foi bom. Foi verdadeiro.

O livro divide-se em duas partes. Na primeira, Daiana relata sua jornada. Expõe suas dores e fragilidades. Vulnerabiliza-se para o olhar alheio, e me tocou muito essa coragem. Ela fala da construção da autoimagem, da relação doentia com a comida, sua obsessão por um corpo “perfeito”, a impossibilidade de alcançar esse corpo perfeito, independente do que se faça. Através dos relatos dela, me lembrei da minha própria história. De como essa  permanente insatisfação, essa permanente vergonha e sensação de fracasso nos rouba momentos e oportunidades da vida e passa a conduzir nossos passos e ações em prol de “quando ficarmos bonitas”, adiando a felicidade de viver o hoje.

Na segunda parte, Daiane continua sua jornada, agora compartilhada com todas nós. “Nossa Luta”. Ela inicia a desconstrução das crenças que a machucavam e aprisionavam. Uma jornada que continua. Nesse processo, ela fez o que fazemos quando precisamos enfrentar um desafio: estudou, buscou ajuda, perguntou, se frustrou e persiste até hoje enfrentando. Compreender o que acontece conosco exige esse aprendizado. Conhecer o inimigo, diriam os estrategistas. Identifica e compreender as pressões externas, essas garras invisíveis que se fincam em nossas almas e nos acorrentam a sentimentos horríveis sobre nós mesmos, como uma nuvem negra que nunca deixa o horizonte, numa ameaça permanente. Olhar com carinho, amor e firmeza, para nossos processos internos, como absorvemos o mundo, nossa relação com as pessoas.

Como disse Mônica Montone “Se o desafio de nossas mães e avós era queimar o sutiã em praça pública e exigir direitos iguais, o nosso, ao que tudo indica, é conseguir se amar, se aceitar e parar de se punir por não ter a imagem perfeita e plastificada das redes sociais.”

Queira ser você! Permita-se ser linda como você é. Queira ter a sua bunda, as suas pernas, o seu rosto e pare de pensar e verbalizar que eles são feios ou defeituosos. Sabe como vai aprender a gostar do seu corpo? Somente no momento em que aceitá-lo como ele é.

Veja o que outras pessoas acharam desse livro:

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