Samantha Sweet, executiva do lar – Sophie Kinsella

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Título: Samantha Sweet, executiva do lar.
Autora: Sophie Kinsella
Editora: Record
Edição: 7º
Ano: 2015
Páginas: 510

Samantha Sweet é uma jovem e dinâmica advogada corporativa, dividida entre contas e clientes, sem tempo para nada além da carreira. Mas com tanta coisa para fazer, ela comete um erro grave que custará à empresa um prejuízo de milhões. Transtornada, Samantha se candidata a um emprego em outra cidade, mas não se preocupa muito com as funções da vaga, que inclui domínio de afazeres domésticos e assessoria pessoal de uma socialite deslumbrada. Sem nem ao menos saber como ligar o ferro de passar, talvez tudo o que ela precise seja deixar a poeira baixar antes de voltar a atuar como advogada. Nesse meio tempo, tem que aprender como usar a máquina de lavar roupas. E rápido!

O que eu achei deste livro:

Há um tempo eu não lia um romance leve e divertido como esse. Li em algumas horas, sem parar. Eu gosto do estilo dinâmico de escrever da Sophie Kinsella. Sem muitas pretensões para além do entretenimento, a autora capricha na comédia, muito romance e personagens divertidos. Se escorrega em alguns clichês como o do “homem bruto na aparência, gentil e amoroso no caráter”, ela consegue deslizar para fora da armadilha com uma boa dose de inesperado, em diálogos que rendem boas risadas. É uma receita certeira!

Acho interessante que os personagens da Sophie Kinsella nunca são perfeitos. São sempre recheados de defeitos, mas a história é o que define de quem gostamos ou não. Realidade seja dita: a Samantha foi bem covarde. Mas quem nunca teve seu momento de covardia que atire a primeira pedra. E no caso dela, foi bem interessante perceber seu crescimento pessoal, a maturidade que ela ganhou no processo de auto descoberta. As decisões que ela tem que tomar para ser quem quer ser não são fáceis. Por que nunca é.

A personagem principal vivia para agradar todo mundo, vivendo sonhos que não eram dela, para pessoas que não se importavam verdadeiramente com ela. De onde tirar coragem para enfrentar o mundo? Como descobrir quem somos realmente? Como entender o que realmente se quer, quando sua vida girou em torno dos outros? São perguntas complexas que podemos passar anos em terapia sem ter a resposta. Mas são necessárias e fundamentais se quisermos viver o mais plenamente possível e conduzir a nossa vida pautados em nós, e não nos outros. E esse me pareceu o tema principal desse livro. Essa (re)descoberta de si mesmo, de como viver a vida nos próprios termos, como condutor e não passageiro (foi clichê, foi mal aí, mas o livro tá cheio de clichê, então também posso).

Gosta que a Samantha seja uma mulher independente financeiramente, genial no que faz, sem nenhum talento doméstico (nenhum MESMO!), ambiciosa e focada. Uma mulher moderna que desprezava os fazeres domésticos. Até descobrir que todo ser humano adulto deveria saber se alimentar, limpar a toca casa e lavar as próprias roupas. Sobrevivência básica. O mesmo não acontece com o Nathaniel, o mocinho sem graça, com ares blé. Bonitinho, charmosinho, meio cabeça dura, mas… Perfeitinho demais! Eu não imagino cruzar a rua com um Nathaniel da vida. Mas conheço algumas Samanthas.

Na realidade eu me vi muito nessa personagem. Sem o extremismo dessa história fantasiosa (e sem o Nathaniel), eu caminhei esse percurso dela. Uma vida em que o trabalho é seu único objetivo, não é uma vida saudável. Trabalhar é essencial. Eu sou adepta do work hard.  Mas é realmente incrível o quanto de prazer você consegue descobrir em coisas simples como não fazer nada por um dia inteiro. Achar equilíbrio na vida turbulenta do mundo, especialmente um tão recheado de acontecimentos, em que a informação não pára, e todos gritam que tempo é dinheiro. Tempo não é dinheiro. Tempo é vida, e deveria ser mais aproveitado por nós.

O final do livro eu consegui prever apenas parcialmente. Ok, o final é bem previsível, eu confesso. Mas como ele acontece é muito imprevisível. Eu nunca imaginei ao longo das horas que estava lendo o final que a autora me entregou. Eu não queria parar de ler até terminar cada letrinha. Há quem odeie. Há quem ame. Mas o final é daqueles que nos deixa imaginar o que aconteceu a partir dali. Eu gostei muito, pois as histórias modernas são assim. A vida é assim, sem ponto final.

Levanto a tábua e tento deslizar as pernas – mas elas não se mexem. Minhas bochechas estão queimando enquanto tento interminavelmente ajeitar a tábua, virando de um lado para o outro. Como essa porra funciona?
– Na verdade, pensando bem – digo casualmente – gosto de uma tábua de passar baixinha. Vou deixar assim.
– Você não pode passar aí embaixo! – diz Trish com riso atônito – É só puxar alavanca! Precisa de puxão forte… vou mostrar.
Ela pega a tábua comigo e em dois movimentos ajustou exatamente na altura certa – Acho que você usava um modelo diferente – acrescenta com sabedoria enquanto ela se trava de novo – Cada uma tem seus truquezinhos.
– Sem dúvida! – digo agarrando-me com alívio a essa desculpa – Claro! Estou mais acostumada a trabalhar com uma… uma… Nimbus 2000.
Trish me olha, surpresa. – Essa não é a vassoura do Harry Potter?
Porra. Eu sabia que tinha ouvido em algum lugar.
– É. É – digo finalmente, com o rosto em chamas. – E também uma conhecida marca de tábua de passar roupa. Na verdade, acho que o nome da vassoura foi dado… ah… por causa da tábua de passar.

Quem não queria uma Nimbus 2000? Samantha Sweet só foi enganada pelo desejo da alma dela.

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