Ser mulher em um mundo machista é assim…

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Fernando de Noronha. Foto minha.

…ser assediada antes dos 9 anos de idade, no meu caso aos 7. E ser culpada pelo assédio que sofri e sofro. Afinal que saia estou usando? Que blusa? E esse batom vermelho?

…saber que minha palavra sempre terá um valor inferior à dos que carregam o gene Y. Não importa quanto eu estude ou se trabalho bem, eu preciso me esforçar mais para obter o mesmo reconhecimento. E olha que eu trabalho em uma universidade e no serviço público, ambos locais onde o machismo vem perdendo a força, significativamente, quando comparado a outros locais, claro.

…ouvir que homens são de marte e mulheres são de vênus… logo ninguém é da Terra. Uma mesma espécie considerada tão distinta a ponto de pertencer a dois planetas diferentes, e temos que aprendemos a decodificar o que o outro quer dizer… Afinal, sinceridade para que?

…ter que dizer que tenho namorado, mesmo quando não tenho, apenas para me livrar de um homem “insistente”. E ouvir ele pedir desculpas ao namorado por ME incomodar.

…sempre pensar bem na roupa que vou vestir. Não pela ocasião, mas pelo perfil de homem que encontrarei.

…ter que aguentar calada quando homens invadem meu espaço pessoal na rua, ouvindo o quanto sou bonita ou gostosa, ou o que eles fariam comigo se pudessem “botar as mãos” em mim. E ter medo, vai que um deles resolve me perseguir, me bater ou me matar?

…ter a cabeça empurrada para o quadril do cara durante uma ficada, pois ele tem certeza que eu devo cair de joelhos na primeira oportunidade. E ser chamada de fresca e egoísta se eu não quiser fazer o oral.

…ter a mídia o tempo todo me mostrando o quanto sou imperfeita e feia. E quais os mil produtos e serviços que podem resolver isso.

…ouvir homens que me conhecem dizendo que não sabem como chegar em mulheres como eu… Nunca ocorreu a eles conversar e me conhecer melhor, saber meus gostos e sonhos.

…conversar com minhas amigas e descobrir que todas, sem exceção, já tiveram seus corpos tocados sem permissão. Que a maioria já fez sexo por que o namorado queria/forçou. E ouví-las justificando que homens “precisam” de sexo, mais do que mulheres.

…não denunciar o cara que me encoxou no ônibus, o colega que faz piadas misógenas, pois eu sei que não vai dar em nada. Reunir provas e testemunhas é difícil e estressante demais.

…é aprender que mulheres são inimigas que passam o tempo todo pensando em como roubar meu namorado. Como se meu namorado fosse um objeto que pudesse ser roubado, sem vontade, sem livre arbítrio. Uma marionete, coitado.

…é invejar a liberdade dos homens, ignorando os danos causados pelo machismo à saúde mental e emocional masculina. E gastar horas, dias, convencendo eles que se cuidar não é coisa de boiola, de fraco. E nem sempre conseguir.

…que amizade verdadeira só entre homens. Entre mulheres é falsidade, entre homens e mulheres é desejo contido.

…é voltar para casa a noite segurando as chaves de casa como se minha vida dependesse delas.

…o pânico de ouvir passos atrás, ou ver um ou mais vultos à frente. E o alívio de descobrir que é uma mulher.

…correr os olhos pelo quarto do namorado para ter certeza que ele não está gravando nossa intimidade, mesmo após meses de convivência. Slut Shaming tá na moda.

…ouvir pessoas defenderem que as “novinhas” são muito maduras. E que os homens mais velhos são “seduzidos” por elas. Pobres homens, tão indefesos.

…ler manchetes sobre a aparência das mulheres e os feitos dos homens.

…não conhecer as invenções de mulheres. Nem as heroínas da história.

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