A reta final

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A reta final de um mestrado é algo doloroso. Gratificante, mas doloroso.

Deve ser assim que os maratonistas se sentem quando estão chegando ao final da prova.

E quando eu falo doloroso, é doloroso mesmo! Eu tenho passado cerca de 12 horas sentada na cadeira.  Atualmente até inclui um cobertor de microfibra sobre a cadeira para ver se fica mais confortável. Eu fico sentada e encarando duas telas, um caderno de anotações que fica permanentemente aberto e, pelo menos, um livro aberto em algum lugar. O uso de duas telas facilitou demais a minha vida pois não fico abrindo e fechando a telinha minuscula do note o tempo todo enquanto faço uma citação ou analiso dados. O caderno me lembra de páginas, autores e citações… e pendências que eu ainda tenho faltando apenas seis dias para enviar para a banca meu trabalho.

A cada hora eu me levanto e estico as pernas e a coluna. Estou grata a Deus por ter tido início de LER aos vinte anos (muito game na veia) e hoje utilizar o mouse com ambas as mãos. Meus dois braços, mãos e ombros estão reclamando das horas usando o mouse, mas ao menos estou distribuindo a tensão. Para relaxar a coluna também invisto em alongamento e ler na cama esticando bem as pernas. Mas quando a noite chega é quase impossível não estar com dor de cabeça.

Ah! Eu acordo seis da manhã e meu primeiro pensamento costuma ser corrigir algum gráfico, rever alguma citação ou alguma lacuna do meu estudo. Ainda bem que quem me acorda são pássaros cantando, ao menos não é o celular.

Como se não bastasse ficar fisicamente exausta, some-se a isso a tensão de enviar para uma banca de avaliadores o fruto de dois anos de trabalho. Foram pilhas de livros lidos, centenas de artigos (apenas para a dissertação, fora os das disciplinas), questionários aplicados, entrevistas realizadas, amigos que não aguentam mais me ouvir falar de dissertação, exceto os guerreiros que estavam nessa empreitada comigo, claro!

Minha família até evita perguntar quando que eu FINALMENTE terminarei e terei tempo sobrando para curtir de novo. Honestamente, nem eu quero mais falar disso (da dissertação, não do meu tema, que eu AMO!). Mas eu não assisto mais séries quando são lançadas, perdi todos os lançamentos no cinema do último ano, quase todos dos últimos dois anos. Jogar vídeo game e ler livros que não sejam acadêmicos é uma lenda urbana na minha vida. Muito mal eu acesso o Facebook uma vez por dia e leio alguns pouquíssimos blogs que eu assino a newsletter uma vez por semana.

Nem sei se ainda sei beijar… Aff… Minha vida social, que já era fraquinha, agora é inexistente! Aliás, todos os meus amigos tem a missão de me levar para sair toda semana depois da defesa, eu preciso me divertir!

Eu já falei que são dois anos de dedicação a pesquisar um tema? E que a banca pode odiar? Pois é. Respeita o trabalho de pesquisadores que investem anos de suas vidas para compreender melhor o buraco da agulha no palheiro, seja generoso com eles.

Cada vez que minha orientadora revisa minha dissertação, ela volta com tantas correções e tarefas a fazer que eu nunca olho no dia que ela me devolve. Assisti Modern Family da última vez que enviei. Queria sorrir antes de me desesperar com o tanto de correções e apontamentos. Quanto mais se escreve, mais é preciso escrever. Seja objetivo.

Uma banca pode dizer que dois anos da minha vida foram em vão. Eu sou muito ansiosa. Cada vez que releio o que escrevo encontro novas lacunas e penso que deveria ter escrito diferente. Entendo hoje a minha primeira professora do Mestrado: “Dissertação não se termina, abandona!”. Mestre Yoda Marina (que a força esteja contigo!).

É isso. To cansada. Ansiosa. Comi tortinha de maçã do McDonalds hoje. Sou viciada nelas. Me ajudam a pensar melhor a cada mordida crocante.

Tem um pernilongo que quer me picar e eu passei Citronela para espantá-lo (odeio citronela), agora meu quarto está fedendo a citronela. Mas o pernilongo desapareceu.

Semana que vem, depois de enviar meu bebe elefante para ser dissecado pelos membros da banca (os membros da minha banca são alto nível!) eu vou deitar na cama e não vou fazer nada. Vou olhar o teto e não fazer nada. Depois eu vou ao cinema. Depois vou pegar minhas sobrinhas e ficar beijando elas até elas me mandarem parar. E eu vou continuar. E depois vou fazer maratona de Bridget Jones e Star Wars. E depois eu vou ler The Walking Dead. E depois vou terminar de ler El amor en los tiempos de cólera, que eu ainda não consegui terminar. E eu vou beber com meus amigos… algumas vezes.

Depois disso tudo já deve ser o dia de defender meu bebê.

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