Arquivo | setembro 2009

Fome de Amor

Esses tempos andei sentindo um vazio terrível dentro de mim, e engordei 2 Kg (aqueles 2 que eu havia dispensado… ¬¬)!!!
Tudo porque não consegui desconfiar de cara que o vazio não era físico mas emocional.
É estranho como sentimentos são capazes de causar sensações tão reais assim. De fome de amor e carinho acabamos comendo demais por achar que é fome do corpo.
Aliás, no livro Nosso Lar, de André Luis e Psicografia do nosso querido Chico Xavier, o cap 18 leva o sugestivo titulo:

Amor alimento da alma

Engraçado que eu só notei esse titulo e o conteúdo do capitulo quando li o livro pela terceira vez, quando era evangelizadora. Nunca tinha me dado conta das implicações contidas nessa frase tão simples.
Foi como se uma lanterna de acendesse e iluminasse diversos questionamentos que eu me fazia. Me fez compreender diversas leituras anteriores que ainda não haviam sido devidamente digeridas.
Algumas delas…

Por que as pessoas ficam tanto? Qual a graça de hoje estar com um e amanhã com outro? O que será que lhes falta?
Resposta: AMOR.
Pode notar que pessoas que recebem carinho e atenção em casa, que se sentem amadas e queridas, raramente são vistas pulando de mão em mão, boca em boca, corpo em corpo. Esse frenesi desesperado por relacionamentos, ficadas, sexo, nos deixa famintos. Na busca por esse precioso alimento vamos nos desgastando e o que encotramos não é saciedade, mas um outro tão ou mais famintos que nós mesmos.
Dai a fome aumenta, a decepção também. E no meio do desespero náufrago vemos uma tábua e logo nos agarramos a ela, mas ela afunda também. E assim vamos indo cada vez mais desgastados, descrentes e famintos desse sentimento tão precioso.

Por que as pessoas não conseguem ficar sozinhas? Por que clamam aos quatro ventos que a solidão é tão terrível?
Resposta: Falta-lhes AMOR.
Esse é o grande início da questão anterior. As pessoas não amam a si mesmas. Não se amam o suficiente para serem capazes de se olharem nuas no espelho, então se pintam, vestem e fazem plásticas para se esconderem da verdade que está lá. Elas se sentem desconfortáveis com a solidão porque essa senhora é honesta e verdadeira, nos coloca frente a frente com nossos medos e temores. Nos obriga a olhar para alguém que não queremos conhecer, desvendar, aceitar: nós mesmos, nossas almas, nosso EU.
Estar só não é triste. O que entristece é o olhar para dentro. É o medo de descobrir que nossos sonhos não se realizaram, que não lutamos para realizar nem sonhos, nem desejos, nem vontades. Que não somos tudo aquilo que queremos ser. É constatar os defeitos e qualidades. Doçuras e amarguras. Realizações e decepções. Sem meios termos nem disfarces. O que as pessoas temem na solidão são elas mesmas.

Como podemos construir relacionamentos saudáveis, melhorar a nós mesmos e aos que convivem conosco? Como podemos mudar o mundo?
Resposta: AMANDO.

Parece aquelas respostas de livro de auto-ajuda. Simples. Sem mágica nem milagre. E por isso mesmo tão difícil de compreender por essa sociedade onde tudo é complexo, rápido e ineficiente. Queremos velocidade e mágica. Aventura e milagre. Mas como tudo que é grande, é simples. Nós não conseguimos engolir muito bem essa dica. Esse presente.
Amando a nós mesmos, acabamos por aceitar as dificuldades que temos, nossos defeitos. E compreendemos que eles não contam tanto assim, pois defeitos são ausências de qualidades. E como toda ausência, ela não tem mais força do que aquela que permitimos que tenha. Basta que a a qualidade chegue e se aconchegue para que o defeito desapareça, como se nunca tivesse estado ali.
Também é nos amando que percebemos que todo ser humano é belíssimo pois toda a Criação é linda. Logo somos lindos exatamente como somos. Nunca seremos mais belos que agora. Nem nunca seremos menos belos que agora. Estamos no auge da beleza, sempre estivemos e sempre estaremos. Basta que tenhamos “olhos de ver”. Ontem e amanhã são meras idéias e ilusões. Passado não muda e futuro não existe. Agora é o que importa.
Amando a nós mesmos, nos tornamos capazes de amar aqueles que estão a nossa volta. Percebemos neles irmãos. Vemos que são lindos como sempre. Que seus defeitos são temporários e que eles, assim como nós, tem a eternidade para alcançar a perfeição. Nos tornamos melhores e estimulamos ao próximo para que seja também melhor, em um saudável circulo de afeições. E quando o outro se percebe amado e querido, ele se acalma, se torna mais dócil, mais tranquilo e seguro. “O amor vence as barreiras”.
Amando a nós mesmos e ao próximo, mudamos o mundo. Pois um lugar onde o amor reina as virtudes essenciais encontram menos barreiras para florescer, como flores que encontram o terreno perfeito para florescer.
Amar faz bem à alma.
O amor nutre o mundo!