Do "ISMO" ao "INO"


“Temos que tirar as mulheres da cozinha.” Frase que inspirou tudo isso…

Sim, eu sei. Assunto bem polêmico, e meu ponto de vista costuma ser mais fonte de discussão… Percebo isso sempre que toco nele, mas eu não fujo de nenhum diálogo. Então vamos ao desafio…

Concordo que devemos auxiliar na expansão da consciência feminina e masculina em prol da liberdade de escolha. Mas eu disse liberdade, e não obrigar as pessoas a fazerem o que julgamos correto, melhor.

Ok. Eu não consigo me imaginar vivendo dentro do lar, me dedicando apenas aos meus filhos e ao meu marido. Honestamente nem consigo me imaginar casada. Com filhos sim, casada não. Mas essa sou eu, com minha cultura, minhas indiossincrasias, minhas particularidades, minha história, minha vida. E isso não é correto. É apenas minha escolha.

Tenho uma amiga jovenzinha, bem educada, com nível cultural extraordinário, que escolheu permanecer na cozinha (contra tudo e todos, inclusive o marido) e é muito feliz lá. Se ela vai se arrepender depois? Não sei. Não sou vidente pra prever o futuro. Mas depois de muito conversar com ela admito que meu feminismo enfraqueceu muito, mas minha feminilidade me abriu para novos pontos de vista.

Vou fazer um aparte aqui. Eu não gosto muito dos termos CORRETO/CERTO e INCORRETO/ERRADO. Veja bem, a vida não é preto-no-branco. Tem tons de cinza adoidados por aí. E um arco-íris inteirinho para complicar mais. Algo correto nos coloca na posição de que tudo mais está incorreto. Tudo. Não há meio termo. Toda guerra que conheço (ignoro explicitamente os fatores históricos, sociais e políticos aqui, ok?) parte do princípio de que eu estou correto e você errado.

Prefiro utilizar os termos ADEQUADO e INADEQUADO pois eles carregam uma carga semântica menos definitiva. Afinal, algo pode não ser adequado para mim no ambiente de trabalho, mas totalmente adequado quando fora deste (o consumo de bebidas alcóolicas, é um exemplo). Vale o mesmo para pessoas. Algo adequado para mim, não é necessariamente para você. E mais algo adequado não é obrigatório, e algo inadequado não é proibido. Logo o direito de escolha permanece.

Hoje me considero uma mulher feminina, que busca paz entre os sexos. Eu não quero dominar meu lar, nem quero ser dominada. Prefiro um domínio compartilhado, assim cada um supre o ponto fraco alheio com seu próprio ponto forte. Engraçado como defendemos a democracia para o governo, mas quando nossos interesses entram em cena, é o autoritarismo que reina e, na maioria das vezes, sequer cogitamos dialogar e tentar compreender o outro. É o estigma das raças, como se fala em comunicação. Problema de comunicação que nos faz ver tudo que é outro, diferente, sob uma ótica suja e preconceituosa.

O feminismo violento teve sua razão de ser, sua glória, seu momento, mas agora acredito que seja momento de repensarmos os preconceitos que a batalha nos infundiu. Pois ainda não encontramos o equilíbrio. E nós, mulheres, nos vemos sobrecarregadas com jornadas triplas, ao centralizarmos todas as atividas internas e externas sobre nós – resultado do feminismo que nos libertou da prisão caseira, sem nos libertar da prisão cultural e moral da responsabilidade pela manutenção doméstica.


Ora, se saímos de casa para trabalhar junto com nossos maridos, mães, pais, irmãos, e todos que convivem conosco no lar, nada mais justo do que todos compartilhem as tarefas de casa também. Não tem essa de meu trabalho é mais estressante que o seu, ou mais pesado. Todos que trabalham podem e devem colaborar em casa. Como essa divisão será feita, cabe a cada lar. Afinal, se pensarmos bem, o lar é como uma organização, e não será nada mal utilizar um pouco de gestão para torná-lo mais confortável, equilibrado. Sem sobrecarregar ninguém.

Mas não isso que vemos, sob a desculpa de que ele, o marido, não faz nada direito em casa ou simplesmente não faz, tomamos sobre nós essa jornada. E assumimos, também, a responsabilidade pelos filhos. Só ai temos 3 jornadas. Isso não é liberdade, é escravidão.

Oras, se o marido não faz, é hora de começar. Ou então vamos ambos desenbolsar para pagar empregada. Escrava-esposa é que não dá. Daí virá insatisfação, irritação, a sensação de estar sendo usada, abusada. Fim de casamento, ou casamento lotado de insatisfação. nenhuma das alternativas é a sonhada, não? Se ele não faz direito, ensina ele e pronto. Uma hora ele aprende, mas ninguém nasce sabendo. Agora não me venha com a desculpa de que não tem paciência. Prefere o que? Ser sobrecarregada quando poderia estar dividindo o peso do cuidado com o lar? A escolha é sua. Mas pense bem: por seu conforto e pelas horas a mais a dois, cheias de carinho, cumplicidade, sexo, diálogo, descanso, não vale deixar a impaciência de lado?

Quanto aos filhos, não nem discutir, presença masculina é tão importante quanto feminina. Nenhum dos dois papéis é dispensável, prova disso é que as crianças, quando na ausência de um dos papéis, transfere essa carga para outra pessoa, seja irmão mais velho, tio, tia, primo, prima, etc… O papel precisa existir, o representante pode ser alterado. Portanto a educação, os cuidados, são do casal e não de apenas um.

Liberdade verdadeira vem acompanhada de responsabilidade. De escolhas. De consequencias. De escolher caminhos que não são, necessariamente, os mais fáceis. Mas que nos renderão frutos melhores. Exige olhar além do momento, para o futuro. Planejar. Idealizar. Avaliar. Mudar. Adaptar.

Se quero tirar as mulheres da cozinha? Não, não quero. Só quero que elas saibam que podem estar onde desejarem estar. Na cozinha, no carro, no barco, no escritório. Sozinhas ou acompanhadas. Mas acima de tudo quero que elas estejam conscientes de que, qualquer que seja sua escolha, nunca é tarde para mudar, aproveitar um novo vento, seguir uma nova direção. Quero que saibam que podem escolher. E essa é a verddeira liberdade. Escolher com consciência.

Essa é minha campanha contra os “ismos”, pois eles guerream entre si, são opostos, opositores.

É uma campanha pelo feminino e pelo masculino que são companheiros, complementares, amigos.


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4 pensamentos sobre “Do "ISMO" ao "INO"

  1. June, meu anjo….Que delícia de recadinho você me deixou. Que bom que eu consigo de alguma maneira tocar você com minhas palavras. Mas não despreze o TEU jeito de escrever. Cada um diz as coisas como consegue. A minha forma é aquela. Eu me revelo e me escondo dentro da minha poesia. Não é todo mundo que consegue ME ver de verdade. Só olhos atentos e mansos assim como os teus, vêem lá no fundo o que eu quero dizer. Fico feliz por isso.Você é um amor, querida. Bom te ler e te ter por perto, viu?Beijucas

  2. é isso aí… quem disse que amulher tem que fazer papel de mulherzinha para ser feminina? quem disse que ela precisa estar solteira para ser livre? quem disse que o mercado de trabalho não foi feito pra mulher? enfim, me pergunto esse monte de quem disse, porque o mundo é outro, a evolução tem ser feita com homens e mulheres, se só os homens tivessem direito a espaço, a mulher não teria sido feita… cada um tem o seu papel e o livre arbítrio é para todos!bj, june!

  3. Cada cabeça, uma sentença, né?Com certeza, eu não seria uma mãe melhor se ficasse em casa e meus filhos não seriam melhores filhos.Trabalho os dois horários, não tenho empregada, me canso, corro durante a hora do almoço pra poder chegar em casa e, quando meus filhos chegam, estar tudo pronto pra gente almoçar! Arrumo a cozinha correndo e volto pro escritório.Mas, sabe o que mais? Sou feliz assim e não trocaria a minha correria diária por um casamento “feliz”, fazendo bolos e drinks pras visitas.Bjão, quilida!

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