Relacionamentos, adolescência e sexo


Minha adolescência não foi lugar comum. E como talvez, exitam outras como eu por aí, que não curtem Todateen, Capricho, nem sai fazendo todo teste que vê pela frente, e adoram estudar, fica aqui meu delicioso processo de descoberta no mundo dos relacionamentos.

Não, os garotos não me viravam a cabeça, eu não suspirava profundamente por nenhum, eu não fazia loucuras ou pagava micos por eles. Verdade seja dita: eles me interessavam tanto quanto física (que me é indiferente até hoje…). Meus livros de português, biologia, inglês e química eram muito mais sedutores e interessantes. Prova disso que eu não desgrudava deles!

Mas o mundo ao meu redor girava em torno deles e para eles. E lá ficava eu, uma ET tentando se ajustar. Mas detesto ficar. Detesto mesmo. Me sinto um lixo. Descatável, utilizável, lugar-comum. Mais um nome na lista… E num mundo onde todos ficam antes de se conhecerem, claro que fiquei solteira eternamente. A Princesa de Gelo (como os garotos corajosos que ousaram tentar ficar comigo me apelidaram).

Admito que meu amadurecimento sexual não foi nessa época. Até o fim do Ensino Médio eu queria mais era estudar, aprender, para ser alguma psicóloga de sucesso, uma cientista do comportamento humano ou professorasuper-ultra-mega. Sempre acreditei que havia algum problema em mim, meu desenvolvimento era lento, sei lá. Minhas amigas, aos 12 anos, já estavam transando, eu, aos 19, nem desejo sentia…

Achava que beijos eram insossos, toques nada emocionantes e papos apimentados maçantes. Essa era minha impressão do “Fabuloso mundo do sexo”, que de fabuloso eu não via nada.

O que eu tinha de errado?
Eu era assim tão anormal?
Eu era frígida?
Essas perguntas se tornaram tão comuns na minha cabeça.
Me torturavam tanto que eu passei a violar meus desejos.
Me obrigava a ficar com garotos para provar que podia ser igual a qualquer garota. Essas tentativas não duraram nem 1 mês. Conversando com minha mãe, entendi que eu não era anormal, frígida, nem havia nada de errado comigo. Eu apenas não havia me interessado por ninguém, ainda. Ela me levou até na ginecologista pra ela me explicar isso.
Então lá fiquei eu, cheia de ansiedade pelo momento em que insossos beijso virariam fabulosos beijos. Enquanto isso, vida pra frente.

Certo o momento chegou. Beijos ficaram fabulosos. Toques quentíssimos. Mas não era qualquer homem que fazia isso. Apenas 1. Ele.
Claro que, garota cheia de questionamentos e dúvidas que sou, me questionei: não deveriam ser todos? Todos os garotos deveriam ser interessantes agora, excitantes e tal. Mas só ele? Só ele me excitava? Só ele me fazia querer mais? Só com ele era fabuloso? Por que?

Lá vou eu de novo. Pergunta aqui e ali…
Minha amigas diziam que eu era seletiva demais.
Meus poucos amigos que eu era uma raridade.
Minha mãe que eu tinha meu jeito de amar, e devia respeitá-lo.
Minha ginecologista que isso era plenamente normal.
Ninguém satisfez minha curiosidade…
Continuei refletindo. O namoro se desfez. Outro se iniciou. Outro se desfez.
Em todos mantive o contato amigável, tranquilo.
Desisti definitivamente de violentar meu jeito e dei um basta nas ficadas.
Me senti muito mais leve.

Resolvi analisar o perfil dos 5 homens que me interessaram românticamente e sexualmente ao longo da vida. E aí eu já tinha 21 anos na cara. O que eles tinham em comum?
Fisicamente: nada.
Nenhum tinha interesses em comum com todos.
Química? Com 3 sim. Rolou a química de cara. O interesse foi mútuo e forte. Mas e os outros dois?
Ação comum? Sim. Todos eu tive oportunidade de conhecer antes, de papear. Todos demonstraram interesse em mim, com todos eu podia conversar tranquilamente, sem muita frescura. Com todos o interesse se intensificava a cada dia. Com todos foi maravilhoso.

Aí eu finalmente percebi: que comigo pele é importante sim, demais até, não consigo conceber relacionamentos a distâncias, mas que conhecimento, confiança e entrosamento mental, tem uma parcela importantíssima quando o assunto é relacionamento, interesse e tesão.

[Photo by: The Sea Walker]

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3 pensamentos sobre “Relacionamentos, adolescência e sexo

  1. Lindeza…..A adolescencia é tão cheia de dúvidas e incertezas que às vezes me pergunto como é que conseguimos sair ilesas dela. (Será mesmo que conseguimos?) Nós somos sempre aquilo que podemos ser, você está certa em não se violar. Saber respeitar os nossos próprios limites é a maior das sabedorias.Lindo post. Aberto, sincero. Exposto. Sem medo de ser você. Parabéns moça! És corajosa e bela.;)BeijucasPS: Eu sempre respondo os meus comentários lá mesmo também. Passe por lá pra ler a tua resposta quando quiser. Já tá lá. 😉

  2. June,Em primeiro lugar, obrigada pela sua visita ao Maçã e, como não poderia deixar de ser, cá estou eu visitando o seu cantinho!Adorei.E vou passar por aqui, sempre, viu?Bjo e otima semana.

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