Pequena dose de poesia

[Sou nova demais para velhos vícios]
June A

Hoje eu não descanço em paz, porque o que sai de dentro não deixa.
São dores, cores, sabores e sons.
Tenho medo dos fantasmas do pensamento
Tenho raiva dos perigos da alma
Tenho responsabilidades inadiáveis
Tenho loucuras intermináveis
Tenho dor, cor, sabor e som que não são meus
Tenho , tenho, tenho…..
Sou assim, sou assado
Posso e não posso
Quero e preciso
Serena e neurótica
Ridícula e bela
Observadora e altista
Consciente e inconseqüente
Insegura e convicta
Comum e imprevisível
Água e fogo num corpo só
Machuco e curo
Rio chorando
choro sorrindo
E tenho o maior coração do mundo
Irremediável e indiagnosticavel
Amável e odiável
Assim desse jeito mesmo
E daquele outro
Contraditória…
Sim! Eu reparo na maneira como você usa os talheres!!!
E por favor, nao palite os dentes na minha frente.
Eu adoro sinceridades
Mas odeio o peso dela sobre meus ombros
Se a mentira fere
A verdade mata
Eu abomino falsidades
Mas amo o conforto que elas trazem
Uma vez precisei lembrar de uma mentira
Não pude…..
Ela já tinha se tornado verdade!
Por isso escrevo, porque o dia que não o fizer, serei pleno e
nesse instante de momento da existência,
saberei que escrever não será mais preciso.
Os passarinhos continuam cantando,
Apesar dos pesares.