Mulher!

Oh, sobretudo que ela não perca nunca, não importa em que mundo, não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade de pássaro;
E que acariciada no fundo de si mesma transforme-se em fera sem perder sua graça de ave;
E que exale sempre o impossível perfume;
E destile sempre o embriagante mel;
E cante sempre o inaudível canto da sua combustão;
E não deixe de ser nunca a eterna dançarina do efêmero;
E em sua incalculável imperfeição constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação imunerável.
Vinícius de Moraes