Saudades…

[Senti saudades suas… Como foram seus dias?]

Há tanto tempo que não te via. Que não te sentia nem ouvia. Seu cheiro já não me vinha à lembrança. Apenas seu sorriso permaneceu comigo, um sorriso baixo e rouco, fiel escudeiro de seu senhor, protegendo-me da solidão, da tristeza e ampliando geométricamente meu desejo.
Percebo agora como a distância é cruel como um desejo sem pele para saciá-lo. Como fome sem paladar ou, como dizem os românticos, como a Monalisa sem seu enigmático sorriso.
E meu espírito ansiava esse reencontro como meus pulmões anseiam pelo ar. Me faltava o ar sem sua presença. Me faltava luz.
E admito que não esperava vê-lo tão cedo, tão rápido. Distraída, quando dei por mim você já estava ali, quase ao meu lado, sorrindo, lento, firme. Fiquei meio perdida, meio eufórica, e creio que meu sorriso tenha revelado isso pois você não exitou um único segundo para saciar um pouco de minha fome de você, pelo menos aquilo que o ambiente nos permite…
Um singelo beijo no rosto, e um abraço, que não deveria ter sido tão colado, nem tão demorado, mas do qual não consegui me afastar tão rápido quanto deveria. Meu desejo real era puxá-lo para qualquer lugar onde pudesse ficar a sós com você e me saciar. Mas não pude e isso pode esperar. Talvez seja até melhor assim… Quanto mais demora, mais intenso vem.
E tudo que a distância levava embora pude recuperar com a sofreguidão de um náufrago que encontra a terra. Primeiro foi sua voz, grave , rouca, erótica, e todo o brilho de seu olhar, os ângulos de seu rosto, a onda de seus cabelos, suas cores. Depois recuperei toda a firmeza de seu corpo, a sensação de proteção, desejo e fragilidade que me envolve quando seus braços me cercam o corpo. E seu toque, desse é impossível esquecer, pois me sinto como presa nas garras de um predador, mas não é medo que me assola o corpo, definitvamente não é medo… E finalmente foi seu cheiro. Eu sempre adorei perfumes, tinha-os como pré-requisito em um homem, e você mudou esse conceito, como mudou muitas outras coisas em mim, pois não usa perfume. Mas seu cheiro é algo… insano. Sim, insano. Exige que se chegue bem perto para sentir, em então marca, ivade, impregna, me faz querer grudar e nunca mais largar, apenas para me obrigar a afastar-me. Mas ele me acompanha ao longo do dia, cada vez mais fraco, cada vez mais suave, cada vez mais longínquo. Mas é o suficiente para manter meu coração e corpo aquecidos com sua lembrança.
Questiono-me como um homem pode ter tanto poder sobre mim sem nem ao menos dedicar-se a cultivar essa loucura. Que é perigoso eu bem sei. Tanto sei que já tentei me manter neutra, afastada, isolda e não consegui. Simplesmente é impossível ser indiferente a você. Eu sinto quando você não está no ambiente e sinto quando chega. Sua energia muda tudo. Muda o clima. Muda o ar. Muda a sensação. Muda a energia. Muda. E me muda.

Momento Flash Back 1

[Porque o primeiro beijo pode não ser perfeito, mas será eternamente o primeiro. E os outros, por melhor que sejam serão sempre os outros…]

Eu cresci em meio a homens. Lembro de ter sido um verdadeiro moleque na minha infância. Subindo muros, pé de goiabas, amoras e mangas. Jogando futebol, vôlei. Disputando sardinhas (aquelas lapadas no braço que deixavam marcas roxas nos braços, mas que ninguém podia chorar, ou perdia). Soltando pipa, andando de skate, brigando com moleques e me recusando a bater em meninas por serem fracotes. Tendo alergia a bonecas e casinha. Morrendo de nojo de beijos e jurando nunca, absolutamente nunca abandonar meus grandes amigos: os meninos! Acho que minha avó jurava que eu seria lésbica! Tadinha. Vivia aconselhando minha mãe a me proibir de brincar com os meninos.

O fato é que uma hora eu cresci. Veio a 1ª mestruação. E bem… Eu não mudei! Kkkkkkkk Continuei sendo um moleque de calças largas, grandes e camisetões. A única diferença eram as unhas compridas que sempre me fascinaram. Adoro minhas unhas!
Tirando o Rogérinho, meu 1º namoradinho, todos os outros meninos eram brothers.
Foi apenas com cerca de 12 para 13 anos que surgiu ele. O especial. Ricardo. Eu admito! Mentia para todo mundo que já tinha beijado na boca para não me encherem o saco. Me torrava a paciência ser questionada, empurrada para os braços dos meninos. Saco! Eles não eram interessantes, hoje sei que eram brochantes para meu gênio forte.
Mas ele, Ricardo. Hummm. Ele era moreno (meus eternos prediletos), alto, charmoso e muito, muito atrevido! Me provocava, me deixava irada e… passava o rodo geral! Eu saía do amor ao ódio em segundos. Como ele podia dizer que só gostava de mim se pegava todas?
O fato é que, por gostar dele comecei a querer me arrumar e… surpresa geral: por baixo das calças largas e camisetões uma pequena ninfeta desabrochava sem ser percebida. Lembro de ter sido um momento extremamente conflitante, confuso. Mas explico o motivo depois, só adianto que tem a ver com meu biotipo fora de moda na época.
O fato é que choviam homens de todas as idades, cores, tamanhos e tipos me chamando para sair, dando cantadas, etc. Ninguém podia acreditar que aquele serzinho curvilíneo de seios GG cintura PP e quadris GG nunca tinha beijado ninguém. Fui chamada de mentirosa muitas vezes. Mas só me importava conseguir chamar a atenção dele. Mal sabia eu que a atenção dele sempre tinha sido minha…
Consegui me declarar. Começamos a namorar, mas nada de beijos… Como? Namoro sem beijos? E o coitado aceitando pensando ser neura de menina nova… e era!
Mas como explicar minha mentira? Que eu nunca havia beijado ninguém? Que não dava a mínima antes mas que agora… bem… De repente, nenhuma de minhas amigas era BV, e menos ainda eram virgens! Fiquei morta de vergonha pela minha “pureza”. Paradoxal que só eu, estava orgulhosa de minhas descobertas: meninos eram muiiiito interessantes, e morrendo de vergonha de ser BV. Foi torturante. Para mim e para ele, que não entendia o porque da minha resistência!
Posso ter apredido a duras penas que mentira sacaneia a gente quando menos se espera, mas nunca fui covarde. E queria muito beijá-lo. Nunca fui santa sabe? Enão cerca de duas semanas depois deestarmos “oficialmente namorado” mas sem beijos, please, contei a ele a fonte do meu receio. Pensei que ele fosse rir, me largar por ser BV, coisa e tal…
O que ele disse? Primeiro o silêncio. Depois a mão no meu rosto. O sorriso tranquilo de quem soluciona o mistério.
E ele disse:
-Saiba que eu sou o homem mais orgulhoso do mundo por você ter me escolhido para ser o primeiro.Tudo acontecerá no seu tempo, quando você quiser e se sentir pronta. Sempre.
E me abraçou. E me senti sendo abraçada pelo mundo. Totalmente orgulhosa do homem maravilhoso que eu tinha ao meu lado para ser o primeiro.
O beijo aconteceu dias depois, roubado por ele, um roubo meio furtado, meio consentido, meio entregue de mão beijada. Silencioso e maravilhoso.
Onde o Ricardo está hoje em dia? Em minhas doces lembranças juvenis…
Fisicamente? Não tenho a mínima idéia. Mas quero ele pra sempre como em minhas memórias: digno, honrado, tranquilo, carinhoso e muito, muito carinhoso.

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Não foram muitos que conheci depois dele pois rapidamente descobri que a pressa é inimiga da perfeição.
Todo homem que eu desejava com pressa foi um desastre em minha vida. Como tornados, saíram de minha vida na mesma velocidade que entrarem deixando uma trilha de destruição atrás de si. Foram 5. Que se somados não chegarão a 1 mês em minha vida.
Todo homem que permiti que chegasse a minha vida com calma e tranquilidade, quase despojadamente foi inesquecível. Foram 2. Que somados chegarão a 5 anos de minha vida.
Esse foi o primeiro passo de minha jornada na descoberta fantástica do maravilhoso universo masculino: complexo, explosivo, conflitante e lindo!
Pois somente homens carregam tanta força e gentileza em um único gesto. E somente vocês, homens, conseguem nos acalmarem meio a tempestade, sendo nosso porto seguro, nosso pilar, quase nossa coluna vertebral.
Sim, porque onde mais encontramos todos os tipos de prazeres s~e não nosbraços de um homem? Prazer infantil de brincar, prazerjuvenil de flertar, prazer sensual e sexual, prazer de ter alguém ao seu lado, prazer de ter companhia, prazer de brigar e fazer as pazes, prazer e prazer…