Abaixo ao Preconceito!

[certa vez uma professora me provocou: “Ter preconceito é normal?”.
Eu respondi: “Sim…”.
Ela disse: “Trema diante do natural, desconfie do normal, tenha medo do comum… Não, o preconceito não é natural, tampouco normal e muito menos comum. Preconceito é uma criação social e se foi criado pode ser destruído.
Eu compreendi a provocação e ela me mudou.]

Toda atitude que tomamos é composta por três componentes: cognição, afeto e comportamento.

cognição – o termo atitude é sempre empregado com referência à um objeto. Toma-se uma atitude em relação à que? Este objeto pode ser uma abstração, uma pessoa, um grupo ou uma instituição social.
afeto – é um valor que pode gerar sentimentos positivos, que por sua vez gera uma atitude positiva; ou gerar sentimentos negativos que pode gerar atitudes negativas.
comportamento –a predisposição : sentimentos negativos levam a aproximação e negativos ao esquivamento ou escape.

[fonte: McDavid, John e Harari, Herbert. Psicologia e comportamento social. Ed. Interciência. RJ. 1974.]


O preconceito é caracterizado por ser um fenômeno histórico e difuso que leva a uma justificativa e legitimização de seus atos. E vemos nos outros e raramente em nós mesmos.


Segundo Allport(1954) o preconceito é o “resultado das frustrações das pessoas, que em determinadas circunstâncias podem se transformar em raiva e hostilidade. As pessoas que se sentem exploradas e oprimidas freqüentemente não podem manifestar sua raiva contra um alvo identificável ou adequado; assim, deslocam sua hostilidade para aqueles que estão ainda mais “baixo”na escala social. O resultado é o preconceito e a discriminação.”

Já, para Adorno(1950) a fonte do preconceito é “uma personalidade autoritária ou intolerante. Pessoas autoritárias tendem a ser rigidamente convencionais. Partidárias do seguimento às normas e do respeito à tradição, elas são hostis com aqueles que desafiam as regras sociais. Respeitam a autoridade e submetem-se a ela, bem como se preocupam com o poder da resistência. Ao olhar para o mundo através de uma lente de categorias rígidas, elas não acreditam na natureza humana, temendo e rejeitando todos os grupos sociais aos quais não pertencem, assim, como suspeitam deles. O preconceito é uma manifestação de sua desconfiança e suspeita.”

Há fontes cognitivas de preconceito pois os seres humanos são “avarentos cognitivos” que tentam simplificar e organizar seu pensamento social o máximo possível. Porém, essa simplificação exagerada leva a pensamentos equivocados, estereotipados, preconceito e discriminação.

Além disso, o preconceito e a discriminação podem ter suas origens nas tentativas que as pessoas fazem para se adequar ao meio social. Ao nos relacionarmos com pessoas que expressam preconceitos, é mais provável que aceitemos esses preconceitos. As pressões para a conformidade social ajudam a explicar porque as crianças absorvem de maneira rápida os preconceitos e seus pais e colegas muito antes de formar suas próprias crenças e opiniões com base na experiência. A pressão dos colegas muitas vezes torna “legal” ou aceitável a expressão de determinadas visões tendenciosas – em vez de mostrar tolerância aos membros de outros grupos sociais.

Preconceito gera estereótipos que é um conjunto de características presumidamente partilhadas por todos os membros de uma categoria social. É um esquema simplista mas mantido de maneira muito intensa e que não se baseia necessariamente em muita experiência direta. Pode envolver praticamente qualquer aspecto distintivo de uma pessoa – idade, raça, sexo, profissão, local de residência ou grupo ao qual é associada.

Quando nossa primeira impressão sobre uma pessoa é orientada por um estereótipo, tendemos a deduzir coisas sobre a pessoa de maneira seletiva ou imprecisa, perpetuando, assim, nosso estereótipo inicial.

E a crença na inferioridade nata dos membros de determinados grupos étnicos e raciais. Os racistas acreditam que a inteligência, a engenhosidade, a moralidade e outros traços valorizados são determinados biologicamente e, portanto, não podem ser mudados. O racismo leva ao pensamento ou/ou: ou você é um de nós ou é um deles.

“O preconceito é uma opinião sem julgamento. Assim em toda terra inspiram-se às crianças todas as opiniões que se desejam antes que elas as possam julgar.”
[Voltaire]

“Triste época ! É mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito.”
[Albert Einstein]

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