Infância

Quantas vezes sentiu saudades da infância?
Saudades daquele tempo em que corria descalço pelas ruas, brincava na terra, fazia bolinhos de lama, jogava futebol no campinho com os amigos, brincava de esconde-esconde, penteava suas bonecas…
A mamãe sempre fazia sua comidinha preferida e quando chegava em casa da escola, aquele cheirinho gostoso de batata frita já estava por todo o ambiente… As tardes de filmes na Sessão da Tarde, as brincadeiras na casa do vizinho, a algazarra na rua…
Se machucasse o dedinho, o colo do pai estava lá, a disposição. Comer besteira sem pensar nas calorias, roubar um doce na venda da esquina, achar dinheiro na rua e correr para comprar uma pipoca, passar horas observando as nuvens…
O primeiro namoradinho, os bilhetinhos trocados em sala, aquele presente tão esperado debaixo da árvore de Natal… E o papai que pintava patinhas no chão e jurávamos que era o Coelhinho da Páscoa que trazia nosso ovo.
Sempre me pego pensando nisso… Pensando nas brincadeiras que fazia, nos amigos que tinha, nas preocupações que não tinha; e depois me pergunto: O que aconteceu com aquela menina que eu fui? E você se pergunta: Onde foi que eu me perdi?
Todo mundo, algum dia, já quis voltar à infância… Talvez pra se encontrar…
Hoje em dia, estamos preocupados em crescer. Crescer profissionalmente, materialmente, intelectualmente… Nos preocupamos em ser adultos, em parecer adultos. Nos preocupamos com o salário que nunca é suficiente, com o emprego que nunca é o certo, com os amigos que nunca estão presentes…
E aquela calça que não entra? Aquela blusa que não combina com nenhum dos sapatos? Ah, aquela viagem maravilhosa que tinha programado, mas que não deu certo… O engarrafamento pra chegar ao trabalho, o chefe mal encarado que parece querer nos engolir… As aulas na faculdade, os professores chatos, os colegas de turma que você já não agüenta mais, e para piorar tudo: a monografia, a bendita monografia.
E no auge do estresse diário, você se lembra da infância… Chega até a sentir o cheiro daquela época… E sente saudades… Sente falta do que tinha. Do que era… A partir disso, percebe que já não tem controle sobre sua vida; que não vive e sim sobrevive a essa loucura diária que toma conta de nós a cada dia que passa.
E volta àquela pergunta: Onde foi que eu me perdi?
Nos perdemos quando passamos a dar mais valor ao material, quando o Ter passou a ser mais importante que o Ser. Quando o tempo deixou de ser nosso amigo e passou a ser nosso inimigo cruel, com sua rugas e velocidade. Quando nos queixávamos da falta de amigos e nos esquecíamos de ser amigos.
Perdemos o rumo quando a opinião dos outros passou a ser mais importante do que a nossa própria; quando deixamos de brincar… “Putz, isso é coisa de criança…”. Quando esquecemos de desejar bom dia de forma verdadeira e não maquinalmente como hoje. Nos perdemos quando nossos sonhos passaram a ser bregas, fora de moda.
E o tempo para a família? Para os amigos? Para tomar um sorvete na sorveteria lá da pracinha? Ah, minha família entende a minha falta de tempo, eu sou muito ocupado… Meus amigos? Nem sei por andam… Sorvete? É louco? Vou me sujar, minha blusa é nova; e o que vão pensar de mim se me virem numa sorveteria? No mínimo que eu sou um vagabundo que não trabalha…
Nos perdemos de nós mesmos quando deixamos de ser nós…
Ainda há tempo de nos re-encontrarmos, de acharmos a criança que éramos… Ela ainda existe, só a sufocamos com todas as atividades diárias que sugam nosso tempo, nossa alegria, nosso ânimo.
Sabe uma maneira fácil de fazê-la renascer?
Alimente-a.
Pare de ter vergonha de si mesmo, do que faz, do que gosta… Tem gente que tem vergonha de gostar de tal estilo de música; vergonha de gostar daquela roupa hiper confortável, mas fora de moda… Já viu criança com vergonha de alguma coisa? Você, quando criança, tinha vergonha dos furinhos na camiseta? Ou melhor, você se lembrava da roupa que estava usando enquanto corria na rua, brincando com as poças de lama?
Não se preocupe tanto com as calorias que aquele sanduíche maravilhoso tem… Qualquer coisa faça um exercício. Mas não se prive do que sente vontade… A vida se entristece quando queremos e nos obrigamos a não ter, mesmo podendo.
Seja criança… Veja beleza nas coisas simples. Estenda a mão, abra um sorriso. Não tenha vergonha dos sentimentos; mesmo querendo esconder, eles existem… Deseje bom dia pra si e para os outros… Não se estresse, tudo se resolve. E, principalmente, não guarde mágoas. Seja otimista e a felicidade virá até você.
Procure os amigos… Aqueles da época da escola, que seguiram outros rumos… Aqueles que você deixou para trás, que não teve tempo para eles… Talvez eles estejam precisando de você. Bem provável que você esteja precisando deles…
Quando você menos esperar, a vontade de voltar à infância se transformará em saudade… Saudade das brincadeiras, dos brinquedos… Saudade das pessoas…
Mas não saudade de si mesmo.
Você voltou a ser o que sempre foi.
PS: “As crianças acham tudo em nada, os homens não acham nada em tudo.” (Giacomo Leopardi)
PS2: Imagem da minha infância em Malacacheta…

Meu tio Kisim, eu (no colo) e minha prima Cíntia.
Todos de vermelho, no tomatal, rsrsrsrs…

“June, minha linda. Obrigada pela oportunidade. Espero que tenha gostado do texto, escrevi o que realmente sinto. Sua amiga, Débora.”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s