Linda! E fora do Padrão! [Ou Momento Flash Back 2]…

Hoje eu estava lendo esse artigo da Flúvia Lacerda no Clube da Calcinha e me bateu aquelas lembranças da pré-adolescência que todos carregam.

Toda vez que lembro da minha infância a primeira coisa que me lembro é de um pé de amora que eu adorava subir para comer aquelas amorinhas pretinhas e docinhas que ficam lá em cima e ninguém sobe para comer por medo de se machucar. Trocadilhos à parte, eu não podia ver pé de fruta que trepava que nem macaquinha… Mas amoreiras sempre foram minha paixão.

A segunda lembrança é de meus primos e irmão me chamando de gorda-baleia-saco-de-areia… Odiava ser chamada assim, mas sabia que se apelasse o apelido pegaria, então ficava quieta… Os anos passaram, o apelido foi embora. Mas as marcas dele não.

Entrei na adolescência neurótica com meu peso. Fazia regimes terríveis. Depois comia como uma louca. Bulimia é o nome disso. Odiava meu corpo. Achava ele horrível, desengonçado, redondo. Enfim, uma bola. Morria de inveja daquelas menininhas pequenininhas, mignon, com peitinhos “limõezinhos” que lhes permitiam usar blusinhas de alça sem sutiã. Murchava a barriga como uma louca para ficar com aquela barriga lipoaspirada de modelo. Chegava a andar meio torta para tentar reduzir minha bunda. Devia ser uma cena grotesca aquela moreninha murchando a barriga, curvando os ombros e jogando os quadris pra frente para reduzir as próprias medidas.

[pausa para explicação] Atualmente seios grandes e bundão podem até estar na moda, mas nos anos 90 você tinhaque ser um vara pau. Acha as modelos atuais magras? Vai olhar Kate Moss… Um palito de dentes era gordo perto dela! E claro que a sexy morena aqui não tem, nem nunca teve corpitcho de campeã de natação. Violão descreve perfeitamente o corpo que amo, mas que já foi muito odiado. Acredito que não tenho nem os ossos mais retinhos, tudo em mim é arrendondado…]

Foi no Ensino Médio que vi pinturas de musas de outras épocas, e não da atualidade. Renascença, Pinup’s, modernismo, etc. E comecei a perceber que cada época tinha um padrão de beleza. Fui pesquisar pelo mundo e vi que regiões diferentes tinham padrões de beleza diferentes. Parei para conversar, e ouvir, meus amigos homens e cada um gostava de um tipo. Uns gostam de baixinhas, outros de altas, uns de gordinhas, outros de magrinhas, uns adoram seios do tipo melões, outros preferem perinhas e outros limõezinhos. Cada um com um gosto. No final das contas eu já tinha uma linda teoria sobre como cada mulher é bonita à sua maneira.

Isso mesmo. Uma teoria. Na prática eu ainda achava meu corpo feio e ainda queria ser mais magra, mais alta, menos peituda, menos bunduda, ter pés e mãos maiores, olhos maiores, etc. A única coisa que gostava em mim mesma eram minha unhas. Minhas lindas unhas.

Ao final do Ensino Médio conheci aquele que me deu um empurrãozinho na direção do fim de minha neurose: P. P era um sábio quarentão. Casado [mea culpa], pelo qual fui apaixonada. Óbvio que ele percebeu. Óbvio que ele chegou junto. Não tão óbvio que eu não aceitei. Meu código moral e intelectual ligou o sinal vermelho e o alerta nivel milhão: idiotice! idiotice! Se envolver com homem casado é idiotice! idiotice! Mas eu não pulei fora tempo suficiente para impedir os benefícios que um homem pode gerar, quando quer. Ele me mostrou como meu corpo era bonito, muito bonito. E principalmente: ele me mostrou o quanto eu era capaz de excitar um homem. Cada detalhe em meu corpo era digno de muitos elogios, e isso faz bem ao ego de qualquer mulher…

[pausa para explicação 2] De P vem minha paixão pelos homens de 40 e a minha aversão a homens menores de 25. Meus prediletos antes dele. Esses FDP não tem a mínima idéia do que significa conquistar, flertar, paquerar e seduzir. E seu elogio mais chique e elegante é Gostosa, esse mesmo gostosa que é usado para o filé e para a sobremesa do almoço para o qual ele te convida e cada um pagou sua parte… Por que ele não tem a delicadeza de pagar no primeiro encontro não.]

Após P muitas coisas aconteceram em minha vida. Algumas me levaram à psicóloga. E foi então que tudo foi mudando… Terapia intensiva para melhorar a auto-estima. Em alguns momentos eu acho qté que exagerei mas, valeu a pena.

Toda criança é igual quando nascem [não adianta negar papais e mamães corujas], gofofucha, linda, e com aquela carinha de joelho que torna impossível distinguir uma de outra. Algumas são cara de joelho magro, outras de joelho gordinho, mas todo mundo parece um joelhinho lindo!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s