Arquivo | junho 2007

Rimbaud

“Par délicatesse J’ai perdu ma vie”
(Por delicadeza Eu perdi minha vida).

Rimbaud

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Quarta e Ultima Regra

“…Amor pede tempo, entrega, paciência,
conhecer e reconhecer, viver e estabelecer,
um grande amor se faz no dia a dia,
no respeito e na admiração.

Se me ama, me admira,
se me ama, reconhece minhas qualidades,
se me ama, vê minhas possibilidades,
se me ama, vê o teu futuro junto comigo,
se nos reconhecemos, nos amamos,
e se nos amamos, seguimos juntos,
não importa o peso da caminhada.

Por isso, quero ficar assim,
em silêncio ao teu lado,
descobrindo a profundeza do teu olhar,
sondando a sua alma,
vendo os reflexos do sol nos teus cabelos
e entre os meus dedos,
construir cachos e sonhos”.

Paulo Roberto Gaefke

Reconhecer num simples hiato de vida o foco central – a esperança – e medir as chances desta chegar ao seu propósito é sobretudo enxergar a si mesmo num simples início de esperança ou numa esperança desgastada.

Portanto entre esperanças revogadas ao termo da vida… há desejos que sobrevivem vivos e que norteiam a desgastada esperança.

E se a esse desejo devidamente dimensionado, emoldurado e em inúmeras declarações… rendermos a tarefa árdua de manter viva a chance da esperança… não há mais nada a fazer que viver o desejo com todo a sua plenitude…


Viva ao desejo… regra 4ª e última.


E ao desejo… que este tenha lido e perceba todas as regras e… aproveite a vida, o nascer do sol, a sua saúde, a companhia das pessoas que realmente importam, o frescor de uma nova amizade, a família, o “eu” solitário, o eu “coletivo”, a pizza de domingo, o chopp com amigos, a quem realmente a ama, aos momentos bons e engraçados, as incríveis mancadas e erros que cometemos (aprender com eles), aos dias de nada fazer… enfim a vida…

E, se tiver espaço e vontade, me deixe tomar parte disso. Convida-me a fazer parte da sua vida.

[ Não conte convites… conte desejos… renove as esperanças. ]

Terceira Regra

“Eu sei que por trás desse universo de aparências, das diferenças todas, a esperança é preservada. Nas xícaras sujas de ontem, o café de cada manhã é servido.

Mas existe uma palavra que eu não suporto ouvir e dela não me conformo. Eu acredito em tudo, mas eu quero você agora.

Eu te amo pelas tuas faltas e pelo teu corpo marcado, pelas tuas cicatrizes, pelas tuas loucuras todas, minha vida.

Eu amo as tuas mãos, mesmo que por causa delas eu não saiba o que fazer das minhas.

Amo o teu jogo triste, as tuas roupas sujas é aqui em casa que eu lavo. Eu amo a tua alegria.

Mesmo fora de si, eu te amo pela tua essência, até pelo que você poderia ter sido, se a maré das circunstâncias não tivesse te banhado nas águas do equívoco.

Eu te amo nas horas infernais e na vida sem tempo, quando sozinha bordo mais uma toalha de fim de semana. Eu te amo pelas crianças e pelas futuras rugas.

Te amo pelas tuas ilusões perdidas e pelos teus sonhos inúteis. Amo o teu sistema de vida e morte.

Eu te amo pelo que se repete e que nunca é igual.

Eu te amo pelas tuas entradas, saídas e bandeiras. Te amo desde os teus pés até o que te escapa.

Eu te amo de alma pra alma e mais que as palavras, ainda que seja através delas que eu me defenda, quando digo que te amo mais que o silêncio dos momentos difíceis quando o próprio amor vacila”.

(Texto de autor desconhecido, extraído do CD Maricotinha – Maria Bethânia)


De posse da moldura e diante dos teus olhos… o desejo deve ser ovacionado. Em poemas, em versos… em simples atos de existência. Em mensagens, torpedos… num arcaico sinal de fogo. Em sonoros carros, em anéis de dourado… num singelo se preocupar. Em flores perfumadas, cartas apaixonadas… num simples olhar. Em músicas feitas a dois, em blogs… num ingênuo discurso de amar.

Declarações em forma piramidal com um ápice máximo. Declarações disformes generosas ao pé do ouvido e ditas em praças interioranas.

Ouvido que não se fez por funcional ontem.

Declarar-se ao desejo… regra 3ª.

[ Lembrar do ontem é ver a última barreira do tempo ser rompida… é o início da última corrida ao encontro de um janeiro e suas 11 horas ].

[ A foto é referência ao filme Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças, e ao modo como ele descreve o desejo de não mais desejar… e, melhor, a forma como entrelinhas revoga o desejo e nos diz que certas coisas não podem ser apagadas. O desejo por fim há de ser vivido ].

[ Recomendo este filme sempre… vê-lo é ver a si mesmo algum dia ].

Segunda Regra

“…E a cada beijo do desejo Eu me entorpeço e me esqueço De tudo que eu ainda não entendi…”
Raul Seixas – Quando eu Morri

Uma vez dimensionado o desejo… e a ele e nele concedido o mágico entorpecer, nada eu posso querer que não seja o ruim esquecer… e fotografar para sempre o desejo sem fim.

Emoldurar o desejo… regra 2ª.

[ Referência ao filme Closer – Perto Demais, e a sutil evocação ao mito de que todo bom desejo vivido e glorificado deve ser guardado o suficiente para ser lembrado e bem antes de ser esquecido ].

Primeira Regra…

“A medida de uma alma é a dimensão do seu desejo”
(Gustave Flaubert)


Numa imensidão de mortos sentimentos… há cinzas vivas de um desejo.

Dimensionar o desejo… regra 1ª.