Quarta e Ultima Regra

“…Amor pede tempo, entrega, paciência,
conhecer e reconhecer, viver e estabelecer,
um grande amor se faz no dia a dia,
no respeito e na admiração.

Se me ama, me admira,
se me ama, reconhece minhas qualidades,
se me ama, vê minhas possibilidades,
se me ama, vê o teu futuro junto comigo,
se nos reconhecemos, nos amamos,
e se nos amamos, seguimos juntos,
não importa o peso da caminhada.

Por isso, quero ficar assim,
em silêncio ao teu lado,
descobrindo a profundeza do teu olhar,
sondando a sua alma,
vendo os reflexos do sol nos teus cabelos
e entre os meus dedos,
construir cachos e sonhos”.

Paulo Roberto Gaefke

Reconhecer num simples hiato de vida o foco central – a esperança – e medir as chances desta chegar ao seu propósito é sobretudo enxergar a si mesmo num simples início de esperança ou numa esperança desgastada.

Portanto entre esperanças revogadas ao termo da vida… há desejos que sobrevivem vivos e que norteiam a desgastada esperança.

E se a esse desejo devidamente dimensionado, emoldurado e em inúmeras declarações… rendermos a tarefa árdua de manter viva a chance da esperança… não há mais nada a fazer que viver o desejo com todo a sua plenitude…


Viva ao desejo… regra 4ª e última.


E ao desejo… que este tenha lido e perceba todas as regras e… aproveite a vida, o nascer do sol, a sua saúde, a companhia das pessoas que realmente importam, o frescor de uma nova amizade, a família, o “eu” solitário, o eu “coletivo”, a pizza de domingo, o chopp com amigos, a quem realmente a ama, aos momentos bons e engraçados, as incríveis mancadas e erros que cometemos (aprender com eles), aos dias de nada fazer… enfim a vida…

E, se tiver espaço e vontade, me deixe tomar parte disso. Convida-me a fazer parte da sua vida.

[ Não conte convites… conte desejos… renove as esperanças. ]

Terceira Regra

“Eu sei que por trás desse universo de aparências, das diferenças todas, a esperança é preservada. Nas xícaras sujas de ontem, o café de cada manhã é servido.

Mas existe uma palavra que eu não suporto ouvir e dela não me conformo. Eu acredito em tudo, mas eu quero você agora.

Eu te amo pelas tuas faltas e pelo teu corpo marcado, pelas tuas cicatrizes, pelas tuas loucuras todas, minha vida.

Eu amo as tuas mãos, mesmo que por causa delas eu não saiba o que fazer das minhas.

Amo o teu jogo triste, as tuas roupas sujas é aqui em casa que eu lavo. Eu amo a tua alegria.

Mesmo fora de si, eu te amo pela tua essência, até pelo que você poderia ter sido, se a maré das circunstâncias não tivesse te banhado nas águas do equívoco.

Eu te amo nas horas infernais e na vida sem tempo, quando sozinha bordo mais uma toalha de fim de semana. Eu te amo pelas crianças e pelas futuras rugas.

Te amo pelas tuas ilusões perdidas e pelos teus sonhos inúteis. Amo o teu sistema de vida e morte.

Eu te amo pelo que se repete e que nunca é igual.

Eu te amo pelas tuas entradas, saídas e bandeiras. Te amo desde os teus pés até o que te escapa.

Eu te amo de alma pra alma e mais que as palavras, ainda que seja através delas que eu me defenda, quando digo que te amo mais que o silêncio dos momentos difíceis quando o próprio amor vacila”.

(Texto de autor desconhecido, extraído do CD Maricotinha – Maria Bethânia)


De posse da moldura e diante dos teus olhos… o desejo deve ser ovacionado. Em poemas, em versos… em simples atos de existência. Em mensagens, torpedos… num arcaico sinal de fogo. Em sonoros carros, em anéis de dourado… num singelo se preocupar. Em flores perfumadas, cartas apaixonadas… num simples olhar. Em músicas feitas a dois, em blogs… num ingênuo discurso de amar.

Declarações em forma piramidal com um ápice máximo. Declarações disformes generosas ao pé do ouvido e ditas em praças interioranas.

Ouvido que não se fez por funcional ontem.

Declarar-se ao desejo… regra 3ª.

[ Lembrar do ontem é ver a última barreira do tempo ser rompida… é o início da última corrida ao encontro de um janeiro e suas 11 horas ].

[ A foto é referência ao filme Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças, e ao modo como ele descreve o desejo de não mais desejar… e, melhor, a forma como entrelinhas revoga o desejo e nos diz que certas coisas não podem ser apagadas. O desejo por fim há de ser vivido ].

[ Recomendo este filme sempre… vê-lo é ver a si mesmo algum dia ].

Segunda Regra

“…E a cada beijo do desejo Eu me entorpeço e me esqueço De tudo que eu ainda não entendi…”
Raul Seixas – Quando eu Morri

Uma vez dimensionado o desejo… e a ele e nele concedido o mágico entorpecer, nada eu posso querer que não seja o ruim esquecer… e fotografar para sempre o desejo sem fim.

Emoldurar o desejo… regra 2ª.

[ Referência ao filme Closer – Perto Demais, e a sutil evocação ao mito de que todo bom desejo vivido e glorificado deve ser guardado o suficiente para ser lembrado e bem antes de ser esquecido ].

Despedida…


“Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? – me perguntarão. –
Por não Ter palavras, por não ter imagem.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? Tudo. Que desejas? Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação…
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra…)
Quero solidão.”

Cecília Meireles

Soneto da Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento

Antes e com tal zelo, e sempre e tanto

que mesmo em face do maior encanto

dele se encante mais meu pensamento.
Quero vive-lo em cada vão momento

e em seu louvor hei de espalhar meu canto

e rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou ao seu contentamento.
E assim quando mais tarde me procure

quem sabe a morte, angustia de quem vive

quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure


Vinicius de Moraes

Mudar o mundo

Engraçado como eu me lembro bem de ter ouvido isso da minha mãe…

Quantas vezes queremos mudar o mundo todo, quando sequer conseguimos cuidar do quintal das nossas casas? Estamos sempre tão preocupados com as dores globais, a fome na África, a Violência no Rio… Nos fixamos nessas idéias tão distantes que acabamos chegando à conclusão de somos por demais pequeninos para mudar algo… Nos sentimos impotentes diante de tamanha misério, tanto sofrimento, tanta injustiça, tanta tristeza. O que um ser humano, solitário pode fazer? Por mais que nos lembremos de grandes nomes como Mandela, Gandhi ou Jesus acabamos por nos questionar: eu não sou como eles, nunca serei como eles. E acabamos por deixar a situação continuar como está, deixamos que outros, mais fortes, mais bravos, mais corajosos assumam esse papel, essa responsabilidade.

O que não paramos para ver é que o poder da mudança se encontra em nossas mãos, em nossas mentes, em nossa capacidade de sonhar com um mundo melhor. Vamos lá, olhe para o mundo forme sua opinião global, mas olhe também à sua volta. E olhe para você. E comece a mudar.

Procure entidades onde você possa contribuir com seu trabalho, existem muitos orfanatos, casas de repouso, hospitais, entre outros onde você pode prestar auxilio. Seja um voluntário. Não faltam lugares que precisam de apoio. E sempre terá um hospital público onde você poderá ir para ouvir as pessoas, num mundo onde tantos se sentem sozinhos na multidão, ouvir é muito importante.

  • Reveja suas atitudes. Use toda aquela educação que possui e dê Bom Dia, Boa tarde, Boa Noite aqueles que cruzarem seu caminho, se for ignorado não ligue, lembre-se que você também ignorou muitos bom dia!
  • Respeite as leis. Elas não existem à toa, são normas de convivência, de boa convicência. Ignore os desaforos, são apenas palavras de desespero de alguém que sequer entende o que acontece a sua volta, sinta pena dos desaforados.
  • Sorria mais. Pesquisas comprovam que o ato de sorri, mesmo que mecanicamente, provoca mudanças hormonais em nossos corpos e nas pessoas à nossa volta, reduzindo o stress, a irritação e a tensão.
  • Tenha um Hobby. Momentos de descontração nos tornam mais propensos a pensamentos positivos. Sempre que algo ruim acontecer, pegue uma folha e enumere 10 coisas boas na sua vida. Verá que há muito para ser feliz.
  • Fale menos. Assim conseguirá perceber o mundo ao seu redor. E conhecendo o problema, fica mais fácil achar a solução.

Mudando a si mesmo, você sempre influenciará pelo menos uma outra pessoa a mudar, e essa pessoa influenciará pelo menos outra… Uma corrente de mudanças estará sendo construída, e assim, sendo você mesmo, finalmente perceberá que o mundo não muda, quem muda são seus habitantes.

Pense nisso!